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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2004

Pastores abrem novos campos de trabalho

PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 27, 2004

A nomenclatura pode variar, de Pastoral do Trabalho a Pastoral de Empresa; a própria pastoral não está regulamentada na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), embora ela tenha pastores em situação especial atuando nesse novo ministério. As tarefas, no entanto, estão bem definidas.

Maurício Haacke puxou a frente e iniciou, há três anos, a Pastoral do Trabalho na Oderich, de São Sebastião do Caí, empresa de enlatados que emprega em torno de 750 funcionários, 60% deles mulheres. Arnoldo Maedche começou a Pastoral da Empresa em outubro passado na Doormann, de Cachoeirinha, firma que tem cerca de 300 funcionários e trabalha com plásticos.

O nome pode ser diferente nas duas empresas, mas o objetivo dos pastores é o mesmo: promover o bem-estar dos funcionários. Para tanto, Maurício dedica todo o tempo profissional disponível – 40 horas semanais – à Oderich; Arnoldo tem contratado 24 horas semanais. "Sou quase como que um ombudsman", definiu Arnoldo em entrevista à ALC.

Maurício equipou-se para exercer a cura d’alma. Ele entende que ritos e símbolos são mediações da graça de Deus no aconselhamento pastoral, tema que desenvolveu em dissertação de mestrado na Escola Superior de Teologia. "Investir na pastoral é querer construir comportamentos sadios na empresa", arrolou Arnoldo.

O ambiente de trabalho é, ao lado da mídia, o grande formador do caráter, uma vez que 70% do tempo ativo e diário são dispendidos no ambiente de trabalho e no deslocamento do lar à empresa e vice-versa, lembrou o pastor da Doormann.

Tanto um como outro têm claro que a pastoral envolve o acompanhamento de casos, conflitos pessoais e profissionais, familiares e conjugais, perdas e lutos, problemas de efetividade com vícios. Maurício tem dez minutos diários num dos seis setores da Oderich – o bom-dia, no início das atividades do dia – quando apresenta uma rápida mensagem, pergunta como os funcionários estão se sentindo e ora com eles.

"Não tenho como mensurar o trabalho da pastoral. Mas é notória a diminuição do índice de absenteísmo", disse Maurício. Mas tanto Arnoldo como o pastor da Oderich vão além do aconselhamento. Também se envolvem e propõem programas, como o Projeto Desperdício Zero, o Projeto Antitabagismo, e cursos, como o de cuidados com o orçamento familiar.

Não foi sem conflitos pessoais que Maurício e Arnoldo se envolveram na pastoral da empresa. Arnoldo pastoreou seis anos uma comunidade universitária em Munique, e, ao retornar ao Brasil, ficou chocado, como consumidor, com o uso abusivo do plástico como embalagem.

Hoje trabalha em empresa que tem no seu mostruário vários produtos em plástico. Na empresa, argumenta que daqui a dez, 15 anos, vigerá legislação mundial que vai proibir esse tipo de produto, a não ser que seja de plástico biodegradável.

Com o amadurecimento da proposta de trabalho, hoje os dois pastores têm claro que estão abrindo um novo ministério. Arnoldo argumenta que religiosos responsáveis pelo aconselhamento nas igrejas estão muito distantes do mundo do trabalho e limitados aos membros nas congregações. A proposta da pastoral da empresa é de atuar lá onde o trabalhador está.

A expectativa é de que a IECLB venha a reconhecer e regulamentar, em breve, esse novo ministério. Sinais animadores já foram emitidos nessa direção.