Evangélicos pedem prudência diante da crise política
SANTO DOMINGO, República Dominicana, Janeiro 26, 2004
A Confederação Dominicana de Unidade Evangélica (CODUE) esclareceu, em nome de suas mais de 4 Taxi Heathrow Airport mil igrejas e 180 conselhos e instituições, que a entrevista que seus dirigentes tiveram na quinta-feira, 22, com o presidente da República, Hipólito Mejia, não significa nenhum compromisso e serviu para "tratar de assuntos puramente pastorais".
Depois de informar que a entrevista deu-se a convite do presidente Mejía, a CODUE "reafirma sua posição de não se identificar com nenhum setor político nem de se entregar como patrimônio a nenhum partido".
Com esse pronunciamento os evangélicos desanuviam especulações de alguns setores que interpretaram a entrevista como um apoio a Mejía no momento em que o presidente enfrenta duras críticas à política econômica do seu governo, ao seu afã de reeleger-se e diante da ameaça de uma greve geral de repúdio.
A CODUE afirma que a participação na vida social e política do país não é compatível apenas com a profissão de fé evangélica, mas uma responsabilidade que deve ser assumida como mandato da mesma fé, de acordo com os dons que o Senhor deu a cada qual para o bem comum.
A igreja, como instituição que reúne pessoas de uma mesma fé, mas não necessariamente de um mesmo partido ou ideologia, não deve identificar-se com opções partidária, definiu a CODUE. Ela diz, contudo, que cada crente deve procurar que os valores evangélicos influenciem, sem imposição, qualquer linha partidária pela qual tenha optado.
Quanto à situação nacional, CODUE diz que a República Donminicana anda por um caminho extremamente preocupante, está à beira da falência, precipita-se pelo despenhadeiro das desvalorizações, inflação, recessão e redução do poder aquisitivo.
"A precária situação econômica e social acentua-se com a incerteza de uma greve geral que pretende expressar o profundo desgosto que existe em todo o país, formado por uma população altamente insatisfeita com a atual gestão do governo", indica.
O comunicado, assinado pelo presidente da CODUE, Reynaldo Falco Aquino, diz que a conjuntura demanda uma atitude de "comedimento, prudência e sentido comum, as autoridades devem evitar a repressão abusiva e os grevistas os excessos, não permitindo que a greve saia do controle".
O comunicado assinala ainda que é preciso "uma inteligente atitude de governo" diante dos grandes problemas que não foram enfrentados à altura das grandes demandas. "Todos os dominicanos devem unir forças, a sociedades civil, os religiosos, os políticos, os empresários e todos os homens e as mulheres que amam a pátria, salvemo-la, não deixemos que esvaia-se mais em sangue", exortam os evangélicos.
Eles recomendam ao presidente da Suprema Corte de Justiça, Jorge Subero, que não renuncie e que identifique com nome e sobrenome as fontes das pressões que procuram sua demissão. "O Poder Judiciário é uma das poucas reservas institucionais que a nação conta e o processo de mudança e transformação deve seguir sem nenhum tropeço", enfatizam.
Em comunicado publicado em novembro do ano passado, a CODUE alertou que a República Dominicana vivia num estado de emergência dada a ineficácia, incapacidade e corrupção que caracterizam a atual administração.
Disse, então, que a inflação alcançara nível escandaloso, assim como a desvalorização da moeda, o crescimento do desemprego e o empobrecimento, que, juntos ao endividamento externo sem limites, o desenfreado gasto público e a deterioração de todos os serviços básicos "são razões de sobra para que o país padeça estalo social".
A CODUE representa mais de um milhão de fiéis. A Confederação declarou que a greve realizada no último dia 11 foi uma demonstração de repúdio ao governo. "Lamentavelmente, o presidente Mejía, em seu afã de recandidatar-se, não sabemos para que, não vê, nem ouve e sequer entende", lamentaram os evangélicos.

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