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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Patriarca Bartolomé visita Cuba
Patriarca Bartolomé visita Cuba

Fidel recebe patriarca ortodoxo grego

José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Janeiro 22, 2004

O presidente cubano Fidel Castro recebeu, ontem, no aeroporto da capital, o líder espiritual de Taxi Heathrow Airport milhões de fiéis da Igreja Ortodoxa de rito grego, o patriarca Bartolomeo I.

Momentos antes, Fidel subira até a cabina do avião para saudar Sua Santidade, o arcebispo de Atenágoras, representante dos ortodoxos em Cuba e principal organizador da visita.

Bartolomeo I é o mais alto representante religioso global que visita Cuba depois da vinda do papa João Paulo II a Ilha, em 1998. O patriarca ecumênico veio a Cuba para inaugurar, no domingo, 25, a Sacra Catedral Ortodoxa Grega de São Nicolás de Mira, construída na histórica Havana Antiga.

Dirigentes do governo cubano e do Partido Comunista de Cuba, representantes da alta hierarquia ortodoxa, membros do corpo diplomático e líderes de denominações evangélicas também se postaram no aeroporto para dar as boas-vindas a Bartolomeo I e sua comitiva.

Do aeroporto, o líder ortodoxo dirigiu-se ao Palácio da Revolução, onde recebeu as boas-vindas oficiais das autoridades cubanas.

Além da consagração da capela ortodoxa, o programa oficial de Bartolomeo I inclui um concerto em honra ao patriarca no Teatro Nacional, encontros com organismos cristãos e delegações estrangeiras, visita a sítios históricos, culturais e sociais.

O patriarca ortodoxo manterá um segundo encontro com Fidel Castro, quando o presidente cubano receberá a Ordem de São Andrés, o fundador da Igreja Ortodoxa, outorgada a personalidades que, de alguma forma, contribuíram aos propósitos ecumênicos.

Bartolomeo I também vai se entrevistar com o presidente do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), Reinerio Arce Valentín. Os ortodoxos cubanos pediram sua filiação ao CIC.

O momento culminante da visita do líder ortodoxo acontecerá no domingo, quando vai consagrar o que será, independente de suas modestas dimensões, o principal templo da denominação em Havana.

Construída na parte antiga da capital e declarada patrimônio da humanidade, a nova catedral ortodoxa é uma jóia arquitetônica. Ela está localizada próxima a outros monumentos religiosos, como a Basílica Menor e o convento de São Francisco de Assis, a Casa dos Árabes, o Hotel Raquel, da comunidade judia, o convento de Madre Tecla, das irmandades africanas, e do jardim dedicado à Madre Teresa de Calcutá.

Artistas, arquitetos, construtores e historiadores cubanos, junto com assessores vindos da Grécia, permitiram o milagre. A obra resgata o espírito bizantino. Trata-se de um prédio coberto de ladrilhos vermelho e pedra cubana especial, montadas sem cimento, segundo técnicas antigas. As paredes do templo incorporam ainda pedras trazidas do mundo ortodoxo.

O prédio tem uma área de 354 metros quadrados e uma altura de 10,5 metros, do chão à cruz, e capacidade para acolher cerca de 50 pessoas. Ornamentos a distinguem, como o pórtico de uma antiga igreja românica de Cuba, no qual aparece Jesus rodeado de anjos e apóstolos.

O templo tem, ainda, um poço medieval veneziano, colocado na entrada. O altar é obra de Juan Narciso Quintanilla, um dos grandes escultores cubanos.