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Sábado, 20 de Novembro de 2004

Procuradoria de Direitos Humanos apoia demanda de professores

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Janeiro 20, 2004

O procurador para a Defesa dos Direitos Humanos, Benjamín Pérez Fonseca, disse que o país deve se dar conta que os protestos e a greve dos professores são justas frente aos miseráveis salários que recebem. O Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad) também considera justo o pleito dos professores.

"Não é justo que os funcionários do governo recebam altos salários e se dêem aumento quando ficam com vontade, enquanto o governo diz que não há dinheiro para mais de 25 mil professores, muitos dos quais ministram aulas em salas que não reúnem as mínimas condições pedagógicas", diz o pronunciamento que o Procurador leu para a imprensa. O procurador revelou que os professores do ensino básico ganham menos de 70 dólares mensais.

O vice-procurador, Julián Corrales, assinalou que a Procuradoria é sensível e solidária diante da dramática situação que os educadores nicaragüenses atravessam com o elevado custo de vida no país. Como protesto pelos baixos salários que recebem os professores anunciaram que entrarão em greve no dia 2 de fevereiro, quando tem início o ano letivo, caso o governo não escute suas demandas.

Além de expressar apoio aos professores, a Procuradoria deu início a ações que buscam o diálogo entre os ministros da Educação e da Fazenda com os líderes do magistério, para que a educação não seja prejudicada por causa da intransigência das partes.

O procurador Pérez Fonseca propôs iniciar o diálogo no próximo dia 26, mas o ministro da Fazenda, Eduardo Montealegre, só aceita o diálogo a partir do dia 30 de janeiro.

O professor Francisco Avilés, do bloco de professores democráticos, disse que o silêncio que o governo mantém até o momento é sinal de que não quer dialogar. Acrescentou que receberam o pleno respaldo dos estudantes e dos pais, porque consideram justas suas demandas.

O secretário da Associação Nacional de Educadores da Nicarágua (Anden), José Antonio Zepeda, declarou que o início das aulas dependerá do governo. Os professores, argumentou, não querem prejudicar os estudantes, tanto que na segunda-feira retornaram às escolas para procederem as matrículas para o novo ano escolar.


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