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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Cubanos iniciam festejos de Natal

José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Dezembro 19, 2003

 Teatros de cidades do interior da Ilha são palco das celebrações de Natal que começaram Taxi Heathrow Airport esta semana. O coral Pax de Deus, de 100 vozes, acompanhado da orquestra sinfônica Solistas de Havana, apresentou-se ontem à noite no auditório Amadeo Roldán, nesta capital.

O concerto natalino será transmitido na íntegra pelo programa Bravo, da televisão cubana, neste domingo à noite.

O Conselho de Igrejas de Cuba (CIC) enviou às congregações evangélicas e ao povo cubano mensagem de Natal, dizendo que na desesperança se deseja estabelecer o "shalom" como paz integral.

Nos dias atuais, quando as desigualdades em nível global se tornam mais profundas, alguns festejam falsamente o nascimento de Jesus numa ma opulência pecaminosa, denuncia a mensagem.

Os cristãos da Ilha, acrescenta, preferem recordar esse importante acontecimento histórico "com a humildade própria da palha do presépio que, apesar de sua condição de pobre abrigo, soube dar calor e vida à Vida sem limites que Deus nos doou através do seu Filho".

Diante da pergunta de como seria hoje a peregrinação de José e sua esposa Maria na busca de um lugar para o nascimento, CIC afirma que "eles seguiriam sua marcha sobre o mesmo tenro e cansado burro, no trilho dos campos e longe das rodovias, buscando o mesmo estábulo, porque não teriam como pagar um hotel cinco estrelas ou um hospital; maravilhados com a luz das estrelas que, muitas vezes, a eletrificação das grandes cidades nos faz esquecer".

A mensagem pergunta, ainda, onde nasceria neste dezembro o Messias e qual seria a Belém dos dias atuais. "Descartemos a fria cidade de Estocolmo, o engenhoso Japão, a metódica Londres ou a cosmopolita Nova Iorque".

"Jesus, a esta mesma hora, estaria nascendo numa Colômbia convulsionada, entre os catadores que buscam o alimento diário nos lixões da Cidade do México; nos truculentos becos de favelas do Brasil; na frigidez do estômago dos índios de Cusco; numa Bagdá ocupada; entre os tantos e tantos sul-africanos que morrem diariamente, vítimas de pandemias como a Aids", afirma.

"Jesus não teria como berço uma dessas camas para bebê capazes de tomar-lhe até a temperatura ao simples contato com o fofo colchão. Jesus não freqüentaria as escolas privadas nem teria acalanto pago", agrega.

Jesus estaria nascendo, e tem que estar nascendo agora como promessa, entre tantas crianças que pedem leite e recebem fome, entre tanto abuso e prostituição infantil, que tornam raro e contaminam o espírito humano; entre tanto rebento de vida que se perde, extraviado pelos labirintos da miséria, das doenças e das guerras, afirma o CIC.

A mensagem será lida por pastores e pastoras no dia 25 de dezembro, em púlpitos e microfones de emissoras país afora. O texto insiste que se receba o Natal como um projeto fomentador da esperança de vida, apesar das carências e limitações que os cubanos sofrem na atualidade, e a Igreja como parte deles, porque "temos um povo rico em espírito, milionário em essência de cubanidade e pleno de confiança nesse tempo melhor que o Senhor nos tem reservado".

O documento conclui com um citação do grande pensador hindu Mahatma Gandhi, quando disse que "a felicidade não é um estação à qual se chega, mas uma maneira de viajar".