Descoberta de cientistas aproxima animais aos humanos
MADRI, España, Dezembro 17, 2003
A Alemanha é o primeiro país do mundo a introduzir em sua Constituição o direito Taxi Heathrow Airport dos animais. Criadores de suínos do país são estimulados pelo governo a conceder pelo menos 20 segundos diários de contato do animal com pessoas.
A União Européia já definiu que até 2012 as pocilgas que isolam os suínos deverão ser substituídas por pocilgas ao ar livre. Em Harvard e outras 25 faculdades de Direito dos Estados Unidos ofertam cursos sobre o direito dos animais.
As iniciativas respondem às novas descobertas de pesquisadores que estudam o estado emocional, mental e comportamental dos animais.
"Parece que muitas dessas criaturas são mais parecidas conosco do que tínhamos imaginado. Sentem dor, sofrimento, experimentam tensão, afeto, emoção e, inclusive, amor", escreveu o economista Jeremy Rifkin, em artigo publicado em outubro no jornal El País, de Madri.
Estudos sobre o comportamento social dos suínos, realizada pela Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, mostraram que os porcos gostam de carinho e se deprimem facilmente quando isolados ou sem possibilidades de brincar com os demais.
Outras pesquisas também desmontam a concepção vigente de que animais não têm sentimentos e não raciocinam. Cientistas da Universidade de Oxford viram, da observação de experimentos de dois pássaros, Betty e Abel, que a fêmea era capaz de fazer um gancho do arame que lhe fora alcançado para pegar alimentos.
Já se sabe que gansos ensinam os filhotes as rotas de emigração. Na maioria dos casos, a aprendizagem passa de pais a rebentos "e que a maioria dos animais utiliza todo tipo de experiência aprendida pela experimentação contínua e a solução de problemas mediante a técnica de prova e erro", descreve Rifkin.
O papagaio Alex, da África, identifica mais de 40 objetos e sete cores. O gorila Koko aprendeu a linguagem dos signos, identifica mais de mil signos, e entende milhares de palavras em inglês.
Segundo Rifkin, Koko pontuou entre 70 e 95 em exames de quociente de inteligência humana, o que o coloca na categoria de "aprendizagem lenta, mas não de atraso".
Rifkin assinala que "a fabricação de ferramentas e o desenvolvimento de complexas aptidões lingüísticas não são mais que dois dos múltiplos atributos que criamos e que eram exclusivos de nossa espécie. A consciência do próprio ser e dos outros, é outra delas".
A ciência acreditava que animais não tinham percepção de sua mortalidade e que eram incapazes de compreender o conceito de morte. Também essa percepção recebe contestações. A julgar pelo comportamento de elefantes que acompanham algum moribundo da manada até o seu leito de morte, tudo indica que eles também sentem dor.
O cientista Stevem Siviy, do Gettysburg College, da Pensilvânia, é incisivo no seu questionamento: "Se cremos na evolução por seleção natural, como crer que os sentimentos aparecem de repente, do nada, nos seres humanos?"

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