Bispos pedem medidas drásticas para combater crise
SANTO DOMINGO, República Dominicana, Dezembro 16, 2003
Diante da grave crise econômica e social que a República Dominicana vive e que ocasionou Taxi Heathrow Airport graves desordens no mês passado no país, os bispos católicos pediram às autoridades governamentais que adotem medidas eficazes e drásticas para enfrentá-la.
"De nada servem nem as lamentações nem as explicações. As duas práticas estão esgotadas. Chegamos a um ponto crítico que o que se impõem são ações inadiáveis, eficazes e drásticas para sair rapidamente da fossa em que estamos metidos", afirmam os prelados. A mensagem foi assinada por todos os integrantes da Conferência Episcopal, encabeçada pelo cardeal Nicolás de Jesús López Rodriguez, arcebispo de Santo Domingo.
É evidente, alegam, que a raiz dos problemas maiores está na deterioração econômica e que as medidas adotadas não obtiveram os resultados desejados. "Não esperemos que as causas externas desapareçam ou melhorem. Enfrentemo-las criativamente, eliminando as causas internas", admoestam.
O governo deve tomar rapidamente todas as medidas necessárias para aumentar a produção e reduzir os gastos orçamentários. É preciso que o Estado se concentre nos gastos necessários e prioritários, e elimine todos os gastos suntuosos, inúteis, supérfluos ou prescindíveis, arrolam os bispos.
"Nessa linha, não é sábia a solução de sobrecarregar de impostos os que os pagam, mas de conseguir que todos paguem o que são obrigados a pagar", recomendam.
Também alegam que é preciso arrumar a administração pública, o que significa não permitir que saqueiem os bens do Estado, que são patrimônio de todos.
Eles advertem que frente ao temor de desvalorização da moeda nacional, dominicanos de todos os estratos sociais converteram seus pesos em dólares e os depositaram fora do país. O montante atual desses capitais fugazes – pequenos, médios e grandes – parece ser escandaloso e é uma das causas da situação que se abate sobre o país.
Alguns o fizeram para escapar de impostos, mas é evidente que a razão mais profunda desse fenômeno tem sido a falta de uma legislação adequada e a desconfiança nos poderes e instituições do Estado, apontam os prelados.
"A repatriação desses capitais mudaria de forma notável nossa situação econômica. As possibilidades de inversão produtiva no país são amplíssimas e só esperam capital disponível, valentia e criatividade empresarial", assinalam.
Os bispos lembram que a Igreja sempre defendeu um salário justo. Ninguém pode negar que, no atual momento, o poder aquisitivo dos dominicanos ficou reduzido a menos da metade, denunciam.
Aos que proclamam que um reajuste salarial efetivo é inflacionário, os bispos argumentam que de nada serve a oferta industrial e comercial se são poucos os que podem adquiri-la. É preciso deter a recessão, para o bem da economia, apontam.
Em meio a tantas dificuldades, o que a nação espera dos políticos não é o fragor de suas lutas internas, mas possíveis soluções para os problemas que afligem a nação, destacam.
Os prelados encerram a mensagem lembrando que há os que acreditam que a renúncia do presidente Hipólito Mejía Domínguez favoreceria a paz social, a confiança e a governabilidade. "Deixamo-lo para a sua consciência", finalizam.

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