
Mais do que palavras - 4
Manuel López, MADRI, España, Dezembro 14, 2003
Tiago diz em sua carta (capítulo 2, versículo 18) que a fé se mostra por Taxi Heathrow Airport obras, não por palavras.
Na passagem emblemática do Juízo das Nações (Mateus 25), Jesus não diz que os salvos o serão por sua cara bonita ou por pertencerem à igreja de uma determinada denominação, mas porque a fé Nele os fez brotar, fazendo o bem ao próximo: dar de comer ao faminto, de beber ao sedento, acolher o forasteiro, vestir o desnudo, visitar o enfermo e o preso.
A linguagem não-verbal não vem "medir-se com", muito menos substituir ou invalidar a expressão oral. Mas é preciso render-se às evidências. Os meios de expressão não-verbal - as linguagens visuais dos gestos, os sinais, as imagens... - estão em absoluta eminência em nossa sociedade audiovisual. Não é a toa que a Comunicação Audiovisual é uma das carreiras com maior demanda nas universidades e escolas superiores de ponta.
Dirão que puxo a sardinha para o meu assado, pois sou professor da matéria. Mas olhe-se como se queira olhar, o certo é que a manifestação do poder de Deus nunca foi patrimônio exclusivo da expressão oral.
De bate pronto, isso pode parecer uma soberana obviedade, mas quando analisamos a fundo a "radiografia" do discurso comunicacional de nossas igrejas, talvez não seja tão evidente assim.
Insistimos em manifestar-nos com palavras, cânticos ou acordes musicais, minimizando outras maneiras de expressão, como podem ser uma decoração acolhedora e agradável de nossos templos ou da pregação não-verbal. Por exemplo, a mostra de um filme ou uma projeção decente de diapositivos.
O objetivo da assinatura que desenhei e compartilho, "Mirar e ver", é facilitar aos alunos ferramentas para o hábito de ler imagens. No silêncio, devem lê-las, "estripá-las" objetivamente em seus elementos conotativos - os morfológicos; os elementos constitutivos da imagem -, para identificar depois os denotativos - os sintáticos; as impressões visuais subjetivas que cada imagem lhes sugere -, para depois refletir, pensar a imagem e colocar tudo isso, a análise, a valorização e o critério crítico pessoal, por escrito.
As palavras servem, entre outras coisas, para expressar no silêncio da escritura o poder de uma idéia ou a força de um sentimento plasmado numa imagem. A retórica ou a homilética são duas formas de comunicação sublimes, indispensáveis.
Mas, graças a Deus, os seres humanos podem expressar-se de muitas maneiras mais. Deus nos criou bastante mais completos do que apenas como sujeitos passivos do processo da comunicação oral unidirecional, em que a única coisa que nos pedem é que sejamos todo orelhas.
Na passagem da mulher adúltera (João 8, 1-11) Jesus respondeu aos "seguidores da ordem" ("aquele de vós que estiver sem pecado", versículo 7), parando sua atividade principal nesse episódio: escrever na terra com o dedo! (versículos 6, 8).
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Manuel López é jornalista, editor e professor de Ciências da Comunicação. É membro da Primeira Igreja Batista de Madri.
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