Igreja Católica critica campanha de combate à aids
SANTIAGO, Chile, Dezembro 9, 2003
O cardeal e arcebispo de Santiago, Francisco Javier Errázuriz, criticou a forma da campanha de Taxi Heathrow Airport prevenção contra a aids empreendida pelo Ministério da Saúde, que passou a difundir uma série de spots pela televisão.
O cardeal Errázuriz assinalou, em missa celebrada no domingo passado, que os anúncios indicam apenas uma via de luta contra a doença, como se ela fosse a única, além de apresentar situações discutíveis. "Não há verdades oficiais, isso é preciso aprender", enfatizou.
Essa é a sexta campanha contra a aids aprovada por autoridades e organizações civis. A campanha ora no ar não apresenta informações sobre métodos preventivos, embora o preservativo tenha lugar de destaque. A imagem central da campanha é um espelho, para que cada as pessoas nele se olhem a respeito de sua conduta sexual.
Os quatro spots televisivos, entre 30 e 45 segundos, mostram personagens comprometidos em diferentes cenas sexuais que poderiam representar risco de contrair a epidemia. A cena mais polêmica é a de um gay que mantém contato físico com seu companheiro. É a primeira vez que um casal gay aparece em spots publicitários em campanha contra a aids.
Outra história mostra um homem com sua mulher e filhos, mas que mantém uma relação extraconjugal; uma terceira história mostra aluna apaixonada por companheiro, mas com dúvidas sobre a relação que quer sustentar. A campanha inclui ainda anúncios em jornais, jingles e anúncios em abrigos de ônibus.
Segundo o jornal La Tercera, Errázuriz censurou os produtores desse tipo de spots. O cardeal não mencionou, porém, a rejeição da Igreja ao uso do preservativo como principal instrumento de prevenção, nem tampouco a resistência de alguns bispos quanto a relacionamentos homossexuais.
Anotou, contudo, que a campanha não apresenta todos os caminhos que impeçam a aids, e que ela parece orientada "para justificar um tipo determinado de caminho, mesmo em situações muito marginais, muito discutidas".
O arcebispo propôs que no futuro o Ministério da Saúde convide comunicadores sociais "para que façam muitos tipos de spots diferentes, de maneira que lutemos de verdade contra a aids pelos caminhos mais seguros, mais condizentes à dignidade do amor".
Mais enfático na crítica foi o arcebispo de Concepción, Antonio Moreno, que classificou a campanha de "imoral", e destacou que todos os métodos anticonceptivos caem nessa mesma qualificação. "Da maneira como o problema é apresentado, fica evidente que qualquer tipo de relação sexual é admissível, e isso é falso", disse.
A Comissão de Bioética da Conferência Episcopal reiterou que "a forma mais segura de evitar o contágio é abster-se ou manter uma relação monógama".
Os canais 13, Mega e UCV-TV negaram-se a transmitir a campanha, o que provocou críticas por causa da falta de coerência, já que transmitem programas de conteúdo sexual e histórias que incluem homossexualidade e promiscuidade.
O ministro da Saúde, Pedro García, limitou-se a pedir "respeito e tolerância" aos que criticaram a campanha.
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