Igrejas herdeiras da Reforma reafirmam unidade
BUENOS AIRES, Argentina, Dezembro 8, 2003
Ao concluir celebração eucarística, representantes das igrejas Valdenses do Rio da Prata, Reformadas da Argentina, Taxi Heathrow Airport Evangélica Luterana Unida e Evangélica do Rio da Prata, herdeiras da Reforma do século XVI, tiraram simbolicamente as pedras do caminho que as impediam de caminhar juntas.
Antes de eliminar as pedras do caminho, tiveram que nominá-las. Entre os obstáculos representados pelas pedras figuraram a impaciência, a soberba, a falta de sonhos, a falta de confiança em Cristo e a pouca importância dada ao Espírito Santo.
Esse momento representou o ponto culminante de seminário realizado dias 20 e 21 de novembro, com o propósito de avaliar a missão e fazer recomendações sobre a tarefa comum das igrejas herdeiras da Reforma do século XVI.
O temário foi proposto pela Mesa de Diálogo da Concórdia de Leuenberg. Participaram do seminário delegados das quatro igrejas rio-pratenses que firmaram esse acordo.
A Concórdia de Leuenberg foi assinada a 16 de março de 1973 na localidade suíça desse mesmo nome, para pôr fim às contendas surgidas entre luteranos e calvinistas depois da Reforma. O acordo resultou de prolongados debates.
Assinaram a Concórdia 74 igrejas européias e duas da região do Rio da Prata: a Igreja Evangélica Luterana Unida e as Igrejas Reformadas da Argentina. A Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata aderiu à Concórdia em 1975, e a Igreja Evangélica do Rio da Prata em 1980.
A Concórdia de Leuenberg reconhece que nos tempos da Reforma surgiram divergências por causa das tradições eclesiásticas, mas que o tempo transcorrido levou a um comum entendimento do evangelho.
Em conseqüência, o documento rejeita as condenações mútuas da época, reconhece que entre as igrejas que o assinaram subsistem diferenças, mas que essas não constituem fatores de divisão e declara a comunhão eclesiástica, que permite o compartilhamento da Santa Ceia e o intercâmbio de clérigos.
As conclusões do seminário reafirmaram a unidade como um dom de Jesus Cristo para a missão, unidade que se expressa através da diversidade, de história, de expressões, de dons. A unidade não é um fim, mas o fundamento e ferramenta para proclamar com autenticidade e eficácia o evangelho: o próprio Cristo, diz o documento.
Também afirmaram que a Reforma do século XVI, da qual são continuadoras, convoca-as a responder com uma particular perspectiva os desafios da época na sociedade global e na sociedade particular na qual se encontram.
Também as chama para o diálogo inter-religioso e ecumênico, o trabalho a favor da justiça e da paz, o trabalho responsável pelo respeito à integridade da criação e em afirmar a vocação à realização plena da pessoa humana.

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