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Sábado, 20 de Novembro de 2004

Liberdade de Alemán sepulta a justiça, dizem evangélicos

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Novembro 28, 2003

A libertação do ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado por fraude, lavagem de dinheiro e outros delitos, Taxi Heathrow Airport praticamente sepulta a justiça na Nicarágua, declararam líderes evangélicos que se mostraram estupefatos com a ordem da juíza Juana Méndez.

A saída da cadeia, onde Alemán estava recolhido desde agosto depois de ficar em prisão domiciliar na sua fazenda de Los Chiles, a 30 km da capital, deixou o povo indignado. Profissionais, mulheres e estudantes disseram que não se pode acreditar nos políticos, que influenciaram, segundo a concepção popular, no relaxamento da prisão do ex-presidente.

O ex-fiscal Alberto Novoa comentou que era monstruoso que Alemán volte à prisão domiciliar enquanto centenas de réus que merecem um tratamento especial não são sequer ouvidos pelos juizes. Ninguém diagnosticou que o ex-presidente esteja gravemente enfermo. Se fosse esse o caso ele teria o amparo da lei, disse Novoa.

Integrantes da Frente Sandinista de base reagiram ao fato, alegando que foram funcionários dos Estados Unidos, entre eles Collin Powell, que ordenaram a libertação de Alemán.

O pastor Oscar Garache, coordenador do comitê municipal de San Rafael del Sur, a 78 km da capital, afirmou que com a libertação de Alemán fica demonstrada a impunidade que a casta política tem. Esses fatos, enfatizou, sepultam o futuro do país, porque trarão conseqüências, como a depressão econômica.

O pastor da Igreja de Deus, William González, declarou que é um erro grave colocar o réu Arnoldo Alemán em liberdade, porque a cidadania perde confiança na lei e nas autoridades judiciais. Alemán deve cumprir a sentença como qualquer outra pessoa que for condenada.

Se ficar comprovado que os partidos Liberal e Sandinista, com o apoio de Caminho Cristão, de inspiração evangélica, negociaram a exclusão de Alemán das celas da Direção de Investigações Criminais, estará aberto um precedente de graves conseqüências para a Nicarágua, alertou González. Ficaria confirmado, assim, que quem tem poder político e dinheiro compra a justiça.

O presidente Enrique Bolaños dirigiu mensagem à nação na quarta-feira, dizendo que um verdadeiro líder não trai o seu povo. Por isso, a Nicarágua deve observar como se comportam seus líderes e se pactuam em favor de seus próprios interesses ou pelos interesses do povo.

"Todos sabem quem pôs o ex-presidente Alemán em liberdade, o que enluta a Justiça na Nicarágua. A crise ético-moral que o país vive é deve-se a líderes como Ortega e Alemán", disse o presidente Bolaños.


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