Morre Ariztía, um crítico de Pinochet
SANTIAGO, Chile, Novembro 28, 2003
O falecimento do bispo emérito de Copiapó, Fernando Ariztía, comoveu a comunidade religiosa chilena. O Taxi Heathrow Airport presidente da República, Ricardo Lagos, destacou a figura do bispo, que foi um dos prelados da Igreja Católica mais críticos do regime de Augusto Pinochet.
O Ministério do Interior decretou luto de três dias na Terceira Região do país e vários bispos viajaram a Copiapó para participar da cerimônia fúnebre. Ariztía, 78 anos, morreu na terça-feira, 25; na quarta-feira, foi rezada missa de corpo presente na capela da igreja da Candelária, na cidade. Ele foi sepultado na cripta dos bispos, na catedral da cidade.
Ariztía foi ordenado sacerdote em 1951. O papa Paulo VI nomeou-o bispo auxiliar em 1967. Junto com o bispo luterano Helmut Frenz, Ariztía presidiu, em 1973, o Comitê Pró Paz. Dois anos mais tarde foi designado bispo de Copiapó, posição que ocupou por 25 anos.
Durante o governo militar, o bispo foi um tenaz defensor dos direitos humanos. Ele foi um dos fundadores do Comitê Pró Paz, antecessor da Vicaria da Solidariedade, que acolheu denúncias dos familiares de presos políticos. O regime apelidou-o de "cura vermelho". Havia planos para matá-lo, mas os próprios militares da região de Copiapó intercederam por ele.
Em 1974, Ariztía reuniu-se com Pinochet em busca de informação do paradeiro do sacerdote espanhol Antonio Llidó, preso e desaparecido no mesmo ano. Em 1976, agentes da Direção de Inteligência Nacional (DINA) agrediram e insultaram-no quando chegou de avião do Equador.
Ximena Araya, um dos dirigentes da Associação de Familiares de Executados Políticos, depositou no ataúde de Fernando Ariztía um jarro contendo terra das diferentes comunidades da Terceira Região, como ele havia solicitado.
Depois de renunciar ao bispado por chegar aos 75 anos de idade, o prelado quis voltar ao trabalho mais próximo das pessoas e mudou-se para a paróquia Jesus Obreiro, em Osorno. A morte do bispo era esperada de um momento a outro após saber que sofria de câncer terminal no fígado.
O presidente Ricardo Lagos declarou que Ariztía "foi fundamental quando a situação no Chile era tão difícil que havia poucos que falaram pelos que não tinham voz, e dom Fernando foi um dos primeiro".
Lagos participou dos funerais e expressou, muito emocionado, que "todos devemos estar orgulhosos de um chileno como foi dom Ariztía, porque ele nos disse e ensinou como viver, e também nos disse como morrer, com a consciência de ter tratado de fazer o máximo, com a humildade de reconhecer as tarefas pendentes, com a confiança, como ele a tinha, que outros virão para seguir o caminho para semear e seguir disseminando o melhor dos chilenos".

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