![Presépio artesanal cubano [Foto: José A. Paz]](/picture/NAVIDAD.jpg)
Cuba prepara-se para o Natal
José Aurelio Paz, HAVANA, Nicaragua, Novembro 26, 2003
Apesar das grandes necessidades e carências nas quais a Ilha navega, Cuba prepara-se para o Taxi Heathrow Airport Natal com o festivo espírito que identifica o cubano, capaz de gastar o que tem e o que não tem, mesmo que no dia seguinte fique sem uma simples taça de café.
Já aparecem enfeitadas as primeiras árvores de Natal, até mesmo nos lugares mais humildes, às vezes com adornos e bolas feitas com material reciclado, graças à criatividade própria de um povo que aprendeu a "inventar" e a "lutar" pela subsistência diária.
Casas comerciais vendem todo tipo de enfeites elétricos. Mesmo que, de maneira oficial, os estabelecimentos não usem qualquer tipo de adorno além daqueles que promovam produtos, uma vez que a Constituição proclama uma sociedade laica, todo o mundo, de maneira particular, ocupa-se e preocupa-se para que não falte nada nessa data tão significativa. Desde 2001, o governo restituiu o feriado de 25 de dezembro.
Não há cubano "dos de a pé", como se chamam popularmente os que não têm carro e se locomovem, diariamente, de ônibus ou outros meios, que não tenham providenciado, desde a metade do ano, um porco pequeno, tratando de engordá-lo, para que tenha a ceia de Natal garantida.
Nos finais de mês instala-se uma espécie de efervescência. Apesar do limitado salário de qualquer família cubana, todo mundo quer comprar alguma coisa para presentear alguém, porque assim são os cubanos.
As pessoas preocupam-se em pintar as casas, mesmo que usando cal. Isso se traduz como augúrio do que os espera num novo ano, mais limpo de dificuldades materiais e humanas. A tradição se ratifica quando, à meia-noite de 31 de dezembro, lançam cubos de água na rua, também como expressão tradicional de que tempos melhores virão.
Os que cultivam pequena horta em seus pátios procuram colher alfaces no dia, a salada por excelência para a data e para comer com mandioca, tubérculo de origem africana que não pode faltar como acompanhante ao porco assado e ao "congrí", prato deixado pelos negros que vieram como escravos a Cuba no século XVIII, que consiste em cozinhar o arroz branco com o feijão preto; se ao invés deste usa-se outro tipo de feijão, o prato ganha o nome de "mouros e cristãos".
Evidentemente, a Igreja prepara-se de outra maneira. Ela tenta ir à essência da festa. Os templos recebem multidões para ensaios de corais e apresentações de peças teatrais, nas quais muitas vezes os próprios atores costuram suas roupas com tecidos reciclados ou tomam emprestadas de irmãos e irmãs das congregações.
Pelo terceiro ano consecutivo o Coral Ecumênico "Pax de Deus" soma suas vozes para o que será a expressão cultural máxima do acontecimento. O concerto natalino tem lugar no famoso teatro Amadeo Roldán, da capital, e é transmitido pela Televisão Cubana no espaço "Bravo!", dedicado ao melhor da música universal de concerto.
Neste ano, o Coral das 100 vozes recebe o acompanhamento da Orquestra Sinfônica Nacional. Nas províncias do interior da ilha igrejas hospedarão eventos similares em teatros e salas multiuso. Em épocas passadas, o governo proibia aos crentes o uso de espaços públicos para tais festejos.
O Natal em Cuba resulta sempre num elemento aglutinador que, em seu espírito de unidade, não convoca apenas os cristãos mas toda a cidadania, ao destilar esse espírito de bondade e humildade ao qual Jesus chama desde a estrebaria.
Enquanto alguns desmemoriados passam com pressa em seus carros sem olhar os que pedem carona nas ruas, as pessoas simples, de a pé, a maioria, abrem o seu coração para compartilhar a mesa, não daquilo que lhes sobra mas do pouco que conseguiram reunir, fazendo valer o preceito que melhor é dar do que receber.

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