![Esteban Valdés, presidente da Igreja da Unidade dos Irmãos Moravos, de [Foto: José A. Paz]](/picture/Valdes_Sanchez_Esteban_6e03c8.jpg)
Moravos ingressam no Conselho de Igrejas
HAVANA, Cuba, Novembro 20, 2003
A Igreja Unidade dos Irmãos, que reúne os moravos da Ilha, foi aceita, junto com outro grupo de denominações, como membro-observador do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC).
A decisão de acolhê-la como membro-observador, etapa que antecede a membresia plena, foi tomada pela Junta Diretiva. O CIC considera-a uma jovem igreja em Cuba, presente no país desde 1997.
Os demais admitidos, na mesma categoria, são a Igreja Pentecostal Graça Soberana e a Evangélica Unida, constituídas a partir da dissidência de outras denominações estabelecidas. Dados não oficiais indicam a atuação de 80 novas denominações na Ilha, sem amparo legal.
Também foi aceita na comunhão do CIC a Comunidade Cristã Internacional (ICC, a sigla em inglês), ecumênica, que congrega pessoas de fala inglesa, como descendentes de imigrantes, estrangeiros e diplomatas radicados no país.
O reverendo Livingstone A Thompson, presidente executivo da Igreja Morava da Jamaica, participou da reunião do CIC como convidado. Os moravos estão há 250 anos na Jamaica e dão respaldo aos moravos cubanos.
Ao agradecer o CIC pelo gesto de admitir os moravos cubanos em seu meio, Livingstone explicou que a denominação resulta de cisão na Igreja Católica da Checoslováquia, em 1457, convertendo-se na primeira igreja protestante antes da Reforma iniciada por Lutero.
O mais conhecido dos reformadores protestantes checos foi John Hus (1369-1415), professor de Filosofia na Universidade de Praga, onde protestou contra as posições doutrinárias do clero católico. Acusado de herege, foi submetido a um longo processo no Concílio de Constança, condenado e queimado em 6 de julho de 1415.
Desde 1457, a Igreja Morava chama-se, oficialmente, Unitas Fratrum (Unidade de Irmãos). Ela reconhece três tipos de ministros: diácono, presbítero e bispo.
O presidente da Igreja da Unidade dos Irmãos na Ilha, reverendo Esteban Valdés Sánchez, enfatizou a experiência cristã dos moravos, que se expressa através do trabalho comunitário, e afirmou:
"Temos a aspiração de que esse Conselho de Igrejas chegue a abraçar, um dia, toda a família cristã da nossa nação, deixando para trás matizes teológicos e litúrgicos que nos diferenciaram, sob o amparo de seu lema: Unidos para servir".
Missionários moravos chegaram à América procedentes da Alemanha e, depois, devido as difíceis condições estabelecidas pela Primeira Guerra Mundial, dos Estados Unidos, onde tinham se estabelecido em 1916.
Ela tem forte presença na Costa Atlântica da Nicarágua, onde possui uma importante missão entre os índios miskitos. Calcula-se que a igreja reúna 100 mil fiéis no mundo. Na América do Norte somam 50 mil, espalhados em 160 congregações, em 17 Estados e duas em províncias canadenses.
O presidente do CIC, Reinerio Arce Valentín, perguntado pela aceitação dos moravos no Conselho quando eles ainda não têm registro oficial no órgão governamental respectivo, disse que "sua inserção no seio do Conselho dá a esse uma maior dimensão de diversidade na unidade, sob o guia do Espírito Santo, e nossa aspiração é que toda nova denominação que apresente um trabalho sério, sustentado por uma trajetória de verdadeira essência evangélica, esteja representada no Conselho".

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