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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2003

Cardeal convoca ao perdão e à reconciliação

LA PAZ, Bolivia, Novembro 17, 2003

Com a serenidade e a responsabilidade que o momento pede a todos, é preciso reconstruir Taxi Heathrow Airport uma Bolívia sobre a base da justiça, solidariedade, liberdade e paz, e que, em autêntica democracia, enfrente com dignidade os graves desafios econômicos, sociais, culturais e políticos, afirmou o cardeal Julio Terrazas S.

No discurso que abriu a 77ª Assembléia da Conferência Episcopal Boliviana, na sexta-feira, 14, o arcebispo de Santa Cruz de la Sierra e presidente da entidade que agrupa os bispos católicos do país, assinalou que a Bolívia viveu conflitos em demasia nos últimos anos, e que eles alcançaram dimensões dramáticas em outubro passado, com numerosos mortos e feridos.

"Seria ingênuo acreditar que tudo isso somente se deva à inoperância de alguns que não souberam reconhecer a gravidade da conjuntura", anotou em relação à crise que culminou com a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada à presidência da República, em 17 de outubro, e a subida ao poder do vice-presidente Carlos Mesa.

"Estamos diante de estruturas injustas e excludentes que se levantaram com características de ídolos intocáveis e frente à varredura dos valores próprios da convivência humana: honestidade e solidariedade, que incluam de uma vez para sempre os pobres e marginalizados", disse o cardeal.

Essa visão da realidade, acrescentou, não pode ser utilizada para atiçar o fogo das paixões destruidoras, mas para descobrir as cadeias que nos atanazam e rompe-las para sempre. O primeiro passo para sair desse ambiente de desesperança é evitar que a nação inteira caia numa espécie de infantilismo vitimista que trata de escapar das conseqüências de seus próprios atos, afirmou.

"Devemos fomentar o que une e deixar de lado as posições inflexíveis que causam divisão e construir uma pátria que se afaste definitivamente das ancestrais soluções escravizantes de fora ou de dentro do país, e daquele infeliz costume de silenciar a participação do povo para repartir impunemente entre poucos os recursos que são de todos", sustentou.

Como pastores, prosseguiu, "convocamos ao perdão e à reconciliação entre todos os bolivianos como base para a construção da paz duradoura que todos anelamos. Isso exige impulsionar novas esperanças, semear autênticos valores, buscar o bem comum e desprender-nos dos interesses individualistas ou de grupo".

O cardeal lembrou que o papa João Paulo II disse, em sua exortação apostólica "Pastores Gregis", que o bispo, "em situações de conflito, mesmo quando exortar o povo a defender seus direitos, deve advertir sempre que todo o cristão tem a obrigação de excluir a vingança e estar disposto ao perdão e ao amor aos inimigos. Em efeito, não há justiça sem perdão".

As mortes e o sofrimento de outubro passado são o triste fruto da lógica perversa do recurso fácil à violência e ao enfrentamento como únicos caminhos para solucionar os problemas, anotou o prelado. Essa lógica foi utilizada com obstinação tanto pelos provocadores como pelos que tinham a tarefa de assegurar a convivência pacífica entre os bolivianos, assinalou.

Ao olhar o dramático quadro circundante, "urge chamar à paz e ao compromisso de construi-la", sobretudo quando "ainda seguem ativos os focos do conflito, conflitos locais que criam feridas profundas", afirmou.

Somente com pessoas e sociedade reconciliadas levanta-se o nível de vida e se assegura a concórdia entre os cidadãos. "É difícil, mas é algo irrenunciável", conclui Terrazas.