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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2003

Doméstica boliviana receberá Prêmio Metodista da Paz

LA PAZ, Bolivia, Novembro 12, 2003

A doméstica boliviana Casimira Rodríguez Romero receberá na quinta-feira, 20 de novembro, o Prêmio Metodista Taxi Heathrow Airport Mundial da Paz 2003, das mãos do presidente do Conselho Mundial Metodista, Sunday Mbang. A cerimônia terá lugar na Igreja da Reforma, de La Paz.

A distinção é concedida, anualmente, em nome dos 39 milhões de metodistas do mundo, a uma pessoa ou grupo que tenha dado significativa contribuição à paz e à reconciliação.

Casimira nasceu em Mizque, próximo à cidade de Cochabamba. Filha única de família pobre, ela começou a trabalhar como doméstica aos 13 anos de idade. Submetida a abusos físicos, mentais e sexuais, Casimira trabalhou dois anos sem receber pagamento, como é comum em muitos lugares da América Latina. "Tive momentos em que me sentia uma insignificante", relatou.

Ao conhecer Cristo ela começou a encher-se de esperança e fé, porque entendeu que o Senhor estava ao lado dos pobres e enfermos e era contra a injustiça. Ela ingressou na Igreja Metodista Emmanuel, de Cochabamba.

Começou a participar, aos domingos, local que abrigava aulas de ensinamento cristão e corte e costura. O grupo converteu-se, mais tarde, na Organização de Trabalhadoras Domésticas, e Casimira destacou-se como líder. Ela foi eleita duas vezes secretária geral da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas.

No ano passado, o Congresso da Bolívia aprovou a Lei de Trabalhadoras Domésticas, que tramitou dez anos na casa. Casimira e os organismos que congregam domésticas participaram das discussões.

"Casimira é uma fiel cristã, cuja fé a tem guiado em momentos de grande adversidade. Sua vida dedicada à busca de paz e justiça é um modelo para todos", declarou o secretário geral do Conselho Mundial Metodista, George H. Freemann.

Seu nome foi apresentado como postulante ao Prêmio pelo bispo da Igreja Metodista da Bolívia, Carlos Intipampa, em reconhecimento à sua perseverança na luta pela paz, reconciliação e a justiça diante dos sinais de opressão.

O Conselho Mundial Metodista agrupa 76 igrejas, de 132 países. Ele instituiu o Prêmio em 1971. Desde então, receberam a distinção personalidades como Boris Trajkovsky, presidente da Macedônia; Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul; Kofi Annan, secretário geral das Nações Unidas; e organizações como a Comunidade de São Egídio, que lutou pela paz em Moçambique, e as Avós da Praça de Maio, da Argentina.