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Mais do que palavras – 1Mais do que palavras /2
Manuel López, MADRI, España, Novembro 12, 2003
Uma passagem sobre a qual não se ouve pregar muito é Romanos 12,1. O apóstolo Taxi Heathrow Airport Paulo apela ao "culto racional", "tem logikén letréian", "latría" (adoração) lógica. Isso deve assustar muito, pois numa das versões recentes da Bíblia em inglês leio ">spiritual< worship" e ">spiritual< service" (!?). Corrigiram a lauda até mesmo de São Paulo, traduzindo o dito pelo não dito.
A atual onda de liturgia "evangelical" enfatiza o registro unidirecional do estímulo emocional que entra pelos ouvidos, descartando a comunicação através de outros registros sensoriais igualmente válidos, como o visual, o olfativo, o táctil ou o gustativo.
Somos chamados a desenvolver o ministério da palavra, dizemos uns aos outros. Certíssimo, mas, como um todo, cabem matizes.
Por exemplo, que o ministério da palavra não deveria minimizar ou excluir outros ministérios (entre eles, o da reflexão em silêncio); por "palavra" somos mais propensos a subentender unicamente a expressão verbal falada, descuidando tantas vezes a leitura da expressão escrita da Palavra revelada, a Bíblia.
A leitura da Bíblia, ah. Quão pouco se lê a Bíblia nos cultos! E nessas poucas vezes que dela se lê, ainda costuma-se ler mal.
Historicamente, os protestantes são conhecidos como o povo "da Bíblia debaixo do braço". Essa propalação categórica para o discurso verbal baseada na leitura da palavra impressa, sustentada na nossa cultura literária da Bíblia no marco do invento protestante da imprensa, caiu como uma luva para manifestar nossa rejeição frontal à imaginária religiosa católica, de acordo com o segundo mandamento da Lei de Deus: "Não farás para ti imagem de escultura... não as adorarás nem lhes darás culto..."(Êxodo 20,4 e 5).
Bravo... ou nem tanto. Com efeito, a Deus não lhe agrada que façamos imagens Dele e as adoremos, mas não manda que vivamos, em nenhum momento, com os olhos fechados.
Quando nos distrai a gravata multicolorida de um pregador ou nos abate a sonolência por causa da péssima iluminação do templo, não estamos incorrendo em falta contra o segundo mandamento. Estamos reagindo de forma coerente, como humanos que somos, a estímulos visuais determinados. Deus nos criou com olhos para olhar e examinar, conduzir-nos e comunicar-nos, além das orelhas para só ouvir e apoiar as hastes.
(Continuará)
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Manuel López é jornalista, editor e professor de Ciências da Comunicação. Membro da Primeira Igreja Batista de Madri.

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