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Sábado, 27 de Dezembro de 2003

WACC defende o direito à comunicação

SÂO PAULO, Brasil, Novembro 10, 2003

Como comunidade de fé "cremos que a intenção de Deus é integrar os valores de Taxi Heathrow Airport seu Reino à realidade social, e como alcançar essa integração é parte da nossa tarefa", disse o secretário geral da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês), Randy Naylor.

Como comunicadores, prosseguiu, "consideramos que o direito à comunicação constitui o núcleo desses valores". Naylor proferiu palestra no Seminário sobre Direito do Cidadão na Sociedade da Informação, convocado pela WACC e reunido na Universidade Metodista de São Paulo, dias 6 a 9 de novembro. O secretário enfocou "O direito à comunicação da perspectiva da WACC".

Tomando como referência o episódio bíblico da torre de Babel, Naylor disse que seus construtores queriam "fazer um nome" e que Deus confundiu as línguas por causa disso. "Essa não é uma escusa para culpar Deus por nossas dificuldades em comunicar-nos uns com os outros, mas porque apresenta uma consciência muito cedo do poder que tem a comunicação", afirmou.

Que as pessoas se juntem e falem um só idioma pode parecer algo maravilhoso. Deus não se opõe à construção de cidades, mas Deus, sim, se opõe a nossos esforços voltados à autoglorificação, apontou.

"Assim que, quando refletimos sobre o direito de comunicar é sumamente importante que o façamos tendo presente de que forma esse ‘direito’ ajuda a construir comunidade, como facilita uma vida plena, de que maneira esse direito valoriza as pessoas enquanto sujeitos do amor de Deus", disse.

Na WACC o tema é abordado pelo prisma dos princípios cristãos da comunicação. "Afirmamos que a comunicação cria comunidade, é participativa, liberta, apoia e promove as culturas, é profética", precisou Naylor.

WACC está envolvida na Campanha pelos Direito da Comunicação na Sociedade da Informação e na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, que as Nações Unidas preparam para o próximo mês.

Pela primeira vez, indicou, será realizada uma cúpula da ONU, na qual se propõe a participação de governos, da indústria e da sociedade civil. Essa cúpula parece enfocada na tecnologia.

Antes de pensar no tamanho da torre que se pode construir com as conquistas tecnológicas é preciso concentrar-se no direito à comunicação, assegurar-se de que o sistema político-econômicos e as estruturas construídas a partir do ser humano estão consolidadas, recomendou.

Esse aspecto ficou muito claro quando WACC organizou seminário sobre "Refugiados e o direito à comunicação" na África. Esse continente tem mais refugiados que qualquer outra região do mundo. A primeira coisa que se descobriu é que os refugiados não podiam participar do evento por causa da insegurança nos campos de refugiados. "Esperávamos dialogar com os refugiados, mas acabamos dialogando sobre os refugiados", enfatizou.

O direito à comunicação deve garantir também o direito à participação. Projeto desenvolvido na Coréia ilustra que as pessoas querem participar na comunicação. Um jornal virtual "Oh My News" alimenta-se quase que totalmente da pesquisa, observação e contribuição de cerca de 14 mil jornalistas voluntários, informou Naylor.

No espaço de dois anos o jornal virtual cresceu do nada até ser reconhecido na atualidade como a oitava fonte mais importante de notícias na Coréia. O "Oh, My News" demonstra como os valores que a WACC afirma podem ser aplicados de forma exitosa.

Em breve, WACC estará lançando o livro "Muitas vozes, uma visão", que tem uma capítulo escrito pelo comunicador peruano Rolando Pérez. No livro o organismo de comunicadores cristãos se pergunta: "O que significa o direito à comunicação para milhões de pessoas marginalizadas pelos interesses políticos e econômicos do Norte?".

WACC também observa como a concentração da propriedade dos meios de comunicação, o ativismo político e a diversidade cultural, bem como a brecha digital, afetam o direito à comunicação, o acesso igualitário ou eqüitativo e a participação num processo de tomada de decisão democrática.

Mencionou que Sean O’Siorcu destacou que o grande desafio para que as pessoas se interessem pelo direito à comunicação está em perguntar de modo tal que leve em conta a diversidade regional e que permita às pessoas familiarizarem-se com esses temas de maneira muito prática.

Para a WACC, destacou Naylor, essa é uma tarefa na qual "temos certa incidência, já que através das associações regionais podemos assegurar tanto uma reflexão que se sustente na diversidade como uma prática que não deixe de lado as questões globais".

Uma das formas em que a reflexão regional sobre o direito à comunicação pode contribuir é estudar e prover pautas a respeito das melhores formas de criar espaços e entornos democráticos.

Como se pode reapropriar o uso do conhecimento e o domínio público, como reclamar os direitos políticos e civis na sociedade da informação, como assegurar que o acesso à sociedade da informação seja eqüitativo e esteja ao alcance de todos? – indagou.

Esses são temas globais, mas as respostas a elas somente serão válidas enquanto elas se desenrolarem dentro das realidades e experiências regionais, manifestou.

Quase como uma superação da experiência comunicacional de Babel, o livro dos Atos dos Apóstolos fala de outra experiência de linguagens – o dia de Pentecostes. Nesse dia, pessoas de várias nações, que moravam em Jerusalém, ficaram confusas, porque passaram a ouvir falar em sua própria língua.

Numa situação em que era natural assumir que a comunicação era impossível, de repente não foi apenas possível, mas também uma realidade. Tocado pelo Espírito de Deus, o direito à comunicação encarnou-se e fez parte da experiência das pessoas, disse.

O novo logotipo da WACC expressa o seu compromisso com o direito à comunicação. "Ele sugere que nosso ministério da comunicação é exercitado dentro de uma espécie de ‘viço’ que se aplica a pessoas comprometidas com a comunicação e que o objetivo final do nosso trabalho é ser conseqüente com a opção preferencial de Deus pelos pobres, o qual resumimos na frase ‘Tomando partido’" , concluiu.