Pastor batista eleito vice-governador vê a política como campo missionário
BUENOS AIRES, Argentina, Novembro 7, 2003
Eleito com 47,8% dos votos, o pastor batista Pablo Tschirsch é o primeiro evangélico a Taxi Heathrow Airport alcançar tão elevado posto na esfera pública, a vice-governança da província de Misiones, no noroeste da Argentina, entre o Brasil e o Paraguai. Ele teve como parceiro de chapa o governador Carlos Rovira, reeleito nas eleições de 28 de setembro.
Tschirsch é membro da Igreja Evangélica Batista da cidade de Leandro N. Alem. A dobradinha teve apoio do presidente Néstor Kirchner, e concorreu separada do Partido Justicialista.
Antes de disputar um posto público, Tschirsch ocupou a secretaria da Cultura e Educação, para a qual foi nomeado em julho de 2000, e foi presidente da Câmara Municipal de Alem. Ele é conhecido por sua participação nos campos pedagógicos, sociais e religioso e exerceu a docência em instituto teológico na cidade de Oberá.
Tschirsch nasceu em 11 de setembro de 1952. Estudou Teologia no Instituto Teológico Batista de Misiones e em Buenos Aires. Também estudou administração de empresas, reengenharia empresarial, finanças, auditoria e oratória. É casado com a médica pediatra Alicia Beatriz Scialabba. O casal tem duas filhas: Florencia, de 8 anos; e Agustina, 6 anos.
Ele foi entrevistado por César A Dergarabedian, para o jornal evangélico El Puente. A entrevista segue:
Quais são os seus planos para a vice-governança?
Tschirsch – Cumprir uma tarefa de serviço como me indica o chamado de Deus nesse "campo missionário" (nem todos o entendem assim). Ocupar-me-ei da educação, das políticas sociais, das políticas agrárias e substituirei, quando corresponder, o governador, engenheiro Carlos Rovira.
Que balanço faz de sua gestão como secretário de Educação?
Iniciei a gestão na etapa mais crítica de toda a história da Educação em Misiones. Hoje há planejamento, ordem, paz e um projeto educacional a médio prazo para alcançar um maior aproveitamento escolar, melhorar a qualidade educativa, superar a demanda de infra-estrutura e equipamento escolar.
Além de um franco e cordial diálogo com a associação que integra a categoria, os salários são pagos em dia, as políticas compensatórias (vale-refeição, bolsas, etc) são cumpridas. Em poucas palavras, em três anos de gestão Deus fez maravilhas, digo-o com humildade e convicção. Sem Ele teria sido impossível.
Que fatos ou situações o fizeram sofrer mais em sua gestão como secretário de Educação?
A intolerância, os comentários preconceituosos e mal intencionados de alguns "irmãos" e a aguda crise econômica que se abateu sobre o país.
Que fatos ou situações lhe trouxeram alegria como ministro de Educação?
Com a ajuda de Deus encontramos solução para todos os problemas com os quais nos defrontamos e um claro testemunho de que sou filho de Deus salvo por Jesus Cristo, o que nunca ocultei e sobre o qual testemunhei com palavras e ações.
Como vê a igreja argentina hoje?
Num estado medíocre, com pouca visão, muito entretida para dentro, sem cumprir a tarefa social e ou evangelística, que é sua responsabilidade bíblica. Todos se criticam, enquanto o pecado abunda e não é denunciado. A igreja não tem presença nas mídias. Falta humildade, confissão, dependência de Deus, sonhar grandes sonhos. "Sem visão perecem os povos". Mas a Igreja é do Senhor e por isso tenho esperança de um novo tempo e de um "verdadeiro" avivamento espiritual.
Os pastores se movem na sociedade?
Muito pouco, há alguns casos raros, excepcionais. Destaco a convicção e participação do Conselho de Pastores da província de Misiones, que sempre oraram e respaldaram minha gestão de secretário, com periódicas visitas ao governador, engenheiro Carlos Edurado Rovira, e no momento em que ofereceram (ao Conselho) a possibilidade de eleger um candidato a deputado provincial não hesitaram em faze-lo, de onde saiu eleito o pastor Paulo Hulet.
Que imagem tem dos evangélicos argentinos?
Que não somos transcendentes, salvo quando esporadicamente alguns valentes se animam a enfrentar os gigantes da nossa sociedade e com a fé colocada em Deus conquistam um pedacinho da Terra prometida.
Que imagem os políticos seculares têm dos evangélicos?
Geralmente nos consideram sectários, egocêntricos, pouco dispostos a nos envolver em questões transcendentes. Muitas vezes nos caracterizam como aqueles que se interessam mais em pedir do que dar a oferta do o sacrifício pelo próximo. Esclareço que há honrosas exceções que sobressaem, se destacam e são o perfume do Senhor em nossa sociedade.
Acredita que os evangélicos estão integrados ou discriminados na comunidade argentina?
Se estamos discriminados é por nossa própria responsabilidade. Eu, pessoalmente, nunca me senti nessa condição e a oportunidade que tive assim o demonstra; a do pastor Pablo Hulet também. Mas deve-se estar disposto a pagar o preço, coisa que nem todos querem fazer. Esse é um bom tempo para tentar marcar a diferença e integrar-nos numa sociedade que reclama os verdadeiros valores éticos, morais e espirituais que somente encontrarão através de Jesus Cristo.
Sua condição de pastor evangélico teve alguma influência na eleição como vice-governador?
Evidentemente o levaram em conta, mas acima do título há muitas horas de trabalho, sacrifício, sofrimento, oração, jejum e convicção de saber que Deus estava e está cumprindo em mim o "seu propósito".
Quando assumir como vice-governador, o que pedirá a Deus?
Que se faça a sua vontade no céu, na terra, na Argentina, em Misiones, em minha vida, com temor e tremor reverente. Quero depender de seu propósito, comunicar seus caminhos, entrar pela sua porta, não andar em maus conselhos, nem sentar-me na cadeira dos escarnecedores e meditar em sua palavra a cada dia. Que amplie meu território, me sustente com sua mão e me guarde do mal.
Que diria àqueles cristão que são reticentes em ocupar cargos públicos ou de participar na política?
Que estão perdendo a magnífica oportunidade de servir a Deus num campo missionário onde somos poucos e faz falta tudo. Animem-se, "mais são os que estão com nós, que os que estão com eles". "Em Deus faremos proezas", "se Deus é por nós, quem será contra nós?"
Qual é sua mensagem aos evangélicos argentinos?
Deus está chamando para envolver-nos, tomar posse do lugar que, como cristãos, nos corresponde em todos os âmbitos políticos, sociais, econômicos e espirituais; que nos chame o Senhor como a José, Davi, Daniel e outros. Está nascendo uma nova Argentina, por vontade de Deus.
Interessa-nos ser protagonistas? Ou seguiremos como espectadores, murmurando, criticando, etc.? Com os olhos postos no céu, mas atuando no serviço para bênção de nossa pátria. Deus salve a nossa querida nação. A quem enviarei? Quem irá por nós? A fé vem pelo ouvir e o ouvir vem pela palavra de Deus. Graças por vossas orações, é a fonte de poder, do amor e do domínio próprio, e disso depende muitíssimo minha gestão. Um abraço em Cristo.

Portada
Início