Ministério de cura antecipa vida abundante, diz Consulta
SANTIAGO, Chile, Novembro 5, 2003
Carta pastoral às igrejas emitida pela Consulta Fé, Cura e Missão, realizada nesta capital de Taxi Heathrow Airport 28 a 30 de outubro, reconhece e celebra o ministério de cura que as congregações vêm desenvolvendo, antecipando dessa forma a vida abundante que Jesus oferece.
Participaram da Consulta 50 representantes e delegados de igrejas evangélicas de diferentes tradições teológicas da América Latina, em conjunto com representantes convidados do Caribe, Estados Unidos, Europa, África e Ásia, convocados pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).
A consulta, indica a carta pastoral, faz parte de um processo iniciado em Londres, que teve continuação em Ghana, no ano de 2002. A igreja como comunidade de cura deve ser um lugar seguro, para contar histórias das necessidades de cura, problemas e sofrimentos, sem que as pessoas sejam julgadas; para pedir orações de cura e para buscar ajuda, enfatizou a reunião de Londres.
A presença de representantes de igrejas pentecostais na consulta "nos animou a redescobrir a centralidade da cura no ministério de Jesus e no mandato a seus discípulos e à Igreja". A presença do bispo Francisco Anabalón, moderador do Comitê de Organizações Evangélicas (COE) no Chile e o diálogo com participantes chilenos "permitiu-nos ter uma visão do ministério curador das igrejas locais", assinala o texto.
Esse ministério tornou possível um processo de cura das feridas que na história recente dividiram profundamente as igrejas chilenas e confirma que a ação de Deus não se limita ao corpo, mas que ela se relaciona com a salvação integral dos seres humanos e com a transformação das relações familiares e sociais.
Esses testemunhos, acrescentam os participantes da consulta, "nos inspiram a organizar os diferentes dons em nossas congregações, para acompanhar todos esses processos de cura através da combinação da medicina, da assistência psicopastoral e o ministério de oração".
Advertem, contudo, que no exercício desse ministério existem dificuldades, como o fato de na leitura e interpretação da Bíblia não se relacionar "o conceito de cura com a salvação integral e se experimentam preconceitos contra as manifestações espirituais e sobrenaturais, privilegiando a racionalidade".
Anotam, ainda assim, que o ministério de cura é associado com excessos e práticas negativas de algumas igrejas e movimentos. Presta-se mais atenção à evangelização de massa do que ao ministério integral das igrejas locais, e persiste uma falta de articulação entre ciência e fé, tratamento médico e oração.
Advertem também para o constante perigo da comercialização, que faz com que o ministério de cura seja entendido como produto do mercado religioso, assim como a manipulação dos dons de cura em benefício próprio e a proliferação do consumismo individual, que gera elevada expectativa de êxito imediato e triunfalista.
A consulta anota que há comunidades e líderes que requerem cura, e que devido a isso não tornam possível o ministério de cura para outros; que existe falta de fé dos doentes, como dos que por eles oram, e que falta um adequado acompanhamento pastoral, de capacitação, de ferramentas e metodologias para fazer um diagnóstico responsável.
É preciso seguir afirmando um ministério de cura integral, que tem implicações de mudança, de transformação, em todas as áreas da vida humana; e promover os espaços de educação com um enfoque multidisciplinar sobre a prevenção e o cuidado como parte do ministério de cura, assinala.
É preciso, lembra, consolidar a solidariedade entre comunidades de cura, ser comunidades acolhedoras, que valorizam as pessoas com diferentes capacidades, afirmando sua dignidade e auto-estima; desenvolver um estilo de vida como comunidade de cura, evitando o triunfalismo barato. A consulta convida a considerar essas reflexões como uma preocupação pastoral.

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