Igrejas e instituições celebram a Reforma
HAVANA, Cuba, Novembro 5, 2003
A Reforma iniciada por Martim Lutero na Alemanha, em 31 de outubro de 1517, foi Taxi Heathrow Airport lembrada em cultos, celebrações e mensagens em igrejas e instituições evangélicas da América Latina.
Em Havana, o presidente do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), Reinerio Arce Valentín, disse que "Lutero tem que nos servir de inspiração e desafio para um ecumenismo de essências profundas", "para festejar seu legado acima de diferenças de credos e práticas".
A data foi celebrada com culto na Primeira Igreja Presbiteriana-Reformada de Havana. O templo lotou com pessoas de diversas denominações e líderes religiosos dos Estados Unidos, Porto Rico e Coréia do Sul.
Em Manágua, o pastor da Primeira Igreja Batista da capital e fundador do Conselho de Igrejas Pró Aliança Denominacional (Cepad), Gustavo Parajón, disse que na atualidade "temos que gritar e chorar como o profeta Habacuque reclamando justiça, mas não podemos perder a esperança de que algum dia resplandecerá a justiça".
O aniversário da Reforma reuniu, em Manágua, reitores das universidades evangélicas da Nicarágua, Costa Rica, El Salvador e Guatemala, que discutiram o projeto de constituição da Federação de Universidades Evangélicas da América Central e do Panamá.
O reitor da Universidade Politécnica de Manágua, Sergio Denis García, afirmou que essa iniciativa nasceu há dois anos, quando do centenário da chegada do evangelho à Nicarágua. O presidente da Universidade Evangélica Nicaragüense Martin Luther King, William González, espera que no próximo ano o projeto se torne realidade.
Em Buenos Aires, a Rede Latino-Americana de Educação, da Federação Luterana Mundial (FLM), afirmou, em mensagem, que a Reforma do século XVI é o começo da época pós-feudal e ampliou o conceito de liberdade, favorecendo as primeiras manifestações do pensamento crítico.
O coordenador da Rede, Ricardo Veira, disse que a Reforma valorizou a ciência, dando lugar ao conhecimento como capacidade para a investigação e estabeleceu um conceito de horizontalidade a partir da prática eclesial.
No marco social, a Reforma estabeleceu novas pautas econômicas a partir do conceito do amor ao próximo, e, no político, ao favorecer a formação do cidadão, mudou o sentido da relação do homem religioso e a política. Descobriu o valor do temporal, favorecendo a separação de Igreja e Estado.
O culto da Reforma, em Havana, teve a participação da chefe do Departamento de Atenção a Assuntos Religiosos no Comitê Central do Partido Comunista, Caridade Diego Bello. O bispo metodista de Porto Rico, Juan Vera, que foi o pregador, proclamou, no sermão, que "a Reforma nos chama a ver o mundo com olhos novos, com o extraordinário legado de que podemos faze-lo melhor".
Depois de apontar para a miséria no planeta, onde 1,5 bilhão de pessoas vive com um dólar por dia e 32 mil crianças morrem diariamente por fome e desnutrição, Vera sustentou que esses dados desafiam os cristãos à grande missão de reformar, transformar e de revolucionar o mundo.
Nessa comemoração da Reforma protestante, "Deus nos convida a ser Igreja do caminho, Igreja em perene construção, Igreja comprometida com seu povo, Igreja solidária", disse Vera.
Em Manágua, o pastor Mendelson Dávila, da Igreja Cristã e membro do comitê do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) nicaragüense, exortou os pastores das distintas denominações a retomarem os princípios de Martim Lutero, que lutou contra o poder feudal e a hierarquia católica para manter uma voz profética diante dos casos de injustiça.
"Vemos, no país, que o ex-presidente Arnoldo Alemán, acusado de graves delitos de fraude e lavagem de dinheiro, goza de todos os privilégios numa cadeia, enquanto milhares de réus vivem em condições desumanas nas prisões, mas os juizes não os ouvem", comparou Dávila.

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