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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2003

Franklin Graham questionado por evangélicos equatorianos e argentinos [Foto:UMNS]
Franklin Graham questionado por evangélicos equatorianos e argentinos [Foto:UMNS]

Kairós rechaça apresentação de Franklin Graham em evento evangelizador

BUENOS AIRES, Argentina, Novembro 4, 2003

A Fundação Evangélica Kairós manifestou-se contra a apresentação na cidade de Rosário do pregador norte-americano Taxi Heathrow Airport Franklin Graham, filho do conhecido evangelista Billy Graham, qualificando-a de "escândalo ético".

A participação de Franklin Graham está anunciada no "Festival da Esperança do Litoral", dias 20 a 22 de novembro, em Rosário. O evento apresenta-se como um acontecimento significativo para o povo evangélico da cidade, no qual estão envolvidas muitas pessoas e igrejas. "Apreciamos e reconhecemos esse esforço de cristãos de boa vontade", diz Kairós.

Mas Kairós alerta que o evento "implica um problema ético de grande magnitude, se levarmos em conta que Franklin Graham é conselheiro religioso de George Walker Bush, que se tornou francamente ofensivo, entre outras coisas, pelo apoio explícito do pregador à invasão dos Estados Unidos ao Iraque".

"Enquanto o mundo inteiro, e muitos argentinos e argentinas, percebem a ação bélica dos governos de George Bush e Tony Blair como um ato criminal, como podem os evangélicos argentinos dar as boas-vindas a alguém que contribui a utilizar nossa fé para justificar tais atos?"- indaga a declaração.

Kairós lembra que Franklin Graham foi questionado por líderes de igrejas evangélicas do Equador, no mês passado, quando anunciaram sua apresentação em evento semelhante ao de Rosário. Em "Carta aberta a Franklin Graham", os líderes equatorianos afirmam que o pregador colaborou para que Bush apresentasse a agressão ao Iraque como "uma cruzada evangélica".

Depois de mostrar estranheza pelo silêncio das organizações representativas dos evangélicos argentinos a respeito da visita de Franklin Graham, Kairós anota que "qualquer atitude indiferente, ambígua e carente de compromisso que mostremos frente a essa problemática ética terá efeitos negativos e contraproducentes naqueles a quem pretendemos comunicar o evangelho".

Assinala, também, que o Conselho de Pastores de Rosário, que promove a atividade, deve informar seus membros sobre esse dilema ético e resolver se seguirá adiante ou não com esse evento, uma vez que sua repercussão pública afetará a credibilidade do evangelho na Argentina.