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Domingo, 4 de Junho de 2006

Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]
Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]

Não me ajude, compadre

Ricardo Verástegui , LIMA, Perú, Novembro 3, 2003

O velho conselho popular "Não me defendas, compadre!" cai muito bem a respeito da suposta Taxi Heathrow Airport ajuda que os Estados Unidos e os países do norte oferecem, de governo a governo, ou de organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), às nações pobres da América, África e Ásia.

Esses países arrastam, há séculos, a pesada corrente da dependência aos desígnios do capital transnacional, hoje principal ator do teatro do mundo com o nome artístico de globalização.

As palavras pronunciadas pelo chanceler cubano Felipe Pérez Roque, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), são bem ilustrativas a respeito: "Os países desenvolvidos oferecerão aos países do Terceiro Mundo (como ajuda oficial ao desenvolvimento), este ano, cerca de 53 bilhões de dólares. Em troca, vão cobrar desses países, por conta de interesses da dívida externa, mais de 350 bilhões de dólares, e ao final do ano nossa dívida externa terá crescido".

Diante desse panorama bem podemos dizer a quem, como os Estados Unidos e outros, nos repetem que somos seus "sócios" (para saquear nossos recursos e riquezas): "Não me ajude, compadre!"

A situação se agrava com a cegueira das classes dominantes de nossos países e seus empregados, com sua política de colocar-se de joelho perante o neoliberalismo global e que – mediante o FMI – levou ao fracasso econômico, à comoção social permanente e à instabilidade política das nações do Terceiro Mundo.

Classes dominantes que – além de demonstrar que não são as classes dirigentes que requeremos para sair da nossa realidade de prostração e subdesenvolvimento – fazem ouvidos surdos às vozes dos pobres e miseráveis para obedecer com servilismo à voz das transnacionais ou dos países ricos que se expressam através da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou do imperialismo norte-americano.

O recente caso da queda do presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, por governar, segundo expressão de milhares de camponeses ayamaras, para os Estados Unidos e não para a Bolívia, bem como a retirada do Peru do Grupo dos 21 (G-21) que, com Brasil na cabeça buscando negociar melhores condições para o nosso comércio, são provas claras do que sustentamos.

O caso particular do Peru, cujo governo retirou o país do G-21 sob o pretexto de aplainar o caminho para a assinatura do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, pois a esse não agrada negociar com grupos políticos que buscam o confronto, é algo que nos enche de vergonha e parece confirmar que não existe pior inimigo de um povo pobre do que aquele que governa com um rosto autóctone, mas com mentalidade de rico.

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Ricardo Verástegui, é jornalista peruano. Membro da Igreja Evangélica Luterana.