![José Joaquín Brünner, ex-ministro Secretário Geral de Governo [Fot: EMOL]](/picture/Brunner.jpg)
Perspectivas chilenas na era digital
SANTIAGO, Chile, Outubro 31, 2003
As perspectivas do Chile na sociedade da informação vão desde um moderado otimismo até um Taxi Heathrow Airport grande desalento, segundo opinião de estudiosos que participaram do seminário "Chile, país digital?", organizado pela Visão Mundial e a Universidade San Sebastián.
O seminário aconteceu na sexta-feira, 24, na cidade de Concepción, e teve por objetivo debater as oportunidades e riscos que as novas tecnologias da informação e comunicação representam para o desenvolvimento nacional e regional.
O advogado e ex-ministro da Habitação e Urbanismo, Claudio Orrego, entende que a sociedade da informação tem muito mais a ver com as redes de pessoas do que com os computadores. Nesse sentido, destacou a necessidade de se criar capital social, capacitando pessoas nas novas tecnologias da comunicação.
Coréia do Sul e Singapura estavam, há 30 anos, atrás do Chile em produtividade, e hoje o superam. A comparação é mais deprimente no caso da Finlândia, que agora é o país mais competitivo do mundo graças à reconversão da sua indústria.
Orrego encabeça a fundação El Encuentro, que criou telecentros em comunas pobres do Chile, onde pessoas de todas as idades podem aceder, a baixo custo, à capacitação e conexão à Internet.
O Chile deve superar um sem número de obstáculos para se integrar à era digital, disse Ricardo Baeza, diretor do Departamento de Ciências da Computação da Universidade do Chile.
Anotou que as fraquezas do Chile passam por um setor público conservador, um setor privado que se incomoda com o risco e que não faz pesquisa, uma massa crítica pequena, a lentidão em adotar as novas tecnologias, e a falência na educação, capacitação e infra-estrutura.
Orrego perguntou por que as empresas não ocupam a Internet e a resposta apareceu de pronto: porque não vêem utilidade nela.
Diante disso, Baeza propôs fomentar o teletrabalho, a comunicação com outras culturas, impulsionar a educação a distância e integrar a tecnologia existente para mudar as práticas culturais. Um passo nesse caminho, disse, é que hoje podem ser realizados 138 trâmites em linha em instituições do Estado, como o Registro Civil.
O engenheiro civil e senador por Tarapacá, Fernando Flores, destacou a importância de inovar a partir do marginal e do incomum, o que ainda não significa que o êxito esteja assegurado.
Anotou que no Chile existe um gargalo, pois enquanto a produtividade e a capacidade de memória na área informática crescem à razão de cem e de mil vezes a cada dez anos, respectivamente, a transmissão de dados apresenta um problema, já que a largura de banda não é adequada.
O sociólogo e diretor da Fundação Chile, ex-ministro Secretário Geral de Governo, José Joaquín Brünner, manifestou-se bastante pessimista quanto à capacidade dos chilenos de se inserirem no carro da Internet.
Sua exposição centrou-se nos desafios da educação, que, disse, será uma das áreas mais atingidas por essa revolução, daí a importância de melhorar as competências de alunos e professores na área.
É preciso capacitar professores, em especial nas faculdades de Educação, mas também o paradigma da sala de aula deverá mudar para formatos digitais, como o tele-ensino ou o campus virtual, para o qual a tecnologia já existe.
Lembrou o fosso que existe entre países ricos e pobres, assim como entre alunos chilenos de nível sócio-econômico mais elevado comparado com os do segmento mais baixo.
Os organizadores do encontro pediram aos painelistas uma análise da realidade tecnológica do Chile, da problemática de acesso às tecnologias de informação e comunicação e do valo existente nesse campo entre países ricos e pobres, inclusive em nível local, como entre Santiago do Chile e as outras regiões do país.
Visão Mundial-Chile procura promover a diminuição desse fosso digital em todos os projetos de desenvolvimento onde trabalha, principalmente nas áreas rurais e nos setores mais empobrecidos do país. Cada projeto que a organização implementa no Chile conta com uma sala de informática e acesso à Internet, onde os beneficiários têm livre acesso para a busca de informação e a realização de tarefas escolares.
"Cremos que o fosso digital é uma forma de exclusão social. Os que não têm acesso a essas tecnologias ficam fora de um mundo que avança rapidamente. Por essa razão, como instituição que trabalha pelo desenvolvimento sustentável, temos integrado transversalmente em todas as nossas áreas de trabalho o componente digital", explicou Carlos Zapata, encarregado da regional Sul da Visão Mundial-Chile.
A Visão Mundial é uma organização internacional humanitária criada em 1950. No Chile, ela trabalha em 15 projetos que beneficiam mais de 24 mil crianças, com um total aproximado de 90 mil beneficiários indiretos. Desenvolve, além disso, três programas especiais: o de bolsa de estudo para estudantes do ensino superior; o de capacitação e desenvolvimento para a mulher; e o de desenvolvimento econômico.

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