Voltar ao início

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Raúl Suárez, do Centro Memorial Martin Luther King de Havana, Cuba. [Foto: CIC]
Raúl Suárez, do Centro Memorial Martin Luther King de Havana, Cuba. [Foto: CIC]

Líderes cristãos condenam bloqueio dos EUA a Cuba

José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Outubro 30, 2003

Dirigentes cristãos cubanos, entre eles líderes evangélicos, condenaram o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Taxi Heathrow Airport Cuba há mais de 40 anos, e o compararam com a injustiça anatematizada pelo profeta Isaías.

O reverendo Raúl Suárez, diretor do Centro Memorial Martin Luther King Jr., citou o profeta Isaías ao expressar: "Ai dos que ditam leis injustas e prescrevem tirania... para despojar as viúvas e roubar dos órfãos".

A Igreja, como parte do povo, não é uma instituição alheia aos problemas que atingem a sociedade. "Nós também somos vítimas dessa política de fustigação contra a nossa nação pelo imperialismo ianque", disse.

O presidente do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), Reinerio Arce Valentín, agradeceu a possibilidade de reunir-se com autoridades do governo de Cuba para debater um fenômeno que trouxe tanta penúria ao povo cubano. Ele leu trecho do Salmo 85, destacando que "a graça e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram".

Essas expressões foram formuladas nos encontros organizados em Cuba junto a diversos setores da população no período que antecede a análise e votação das Nações Unidas sobre o bloqueio norte-americano à ilha.

No encontro realizado na Igreja Batista Ebenezer, nesta capital, um grupo de líderes cristãos reuniu-se com o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón de Quesada, e o vice-ministro de Relações Exteriores, Fernando Ramírez de Estenoz.

O ministro das Relações Exteriores proferiu conferência sobre o impacto econômico que o bloqueio representa, "o que alguns, de maneira equivocada, chamam de embargo, quando evidentemente se trata de um bloqueio que somente em 2002 impediu o ingresso no país de 1,6 bilhão de dólares. Um cálculo conservador estima, para todos esses anos, 72 bilhões de dólares", arrolou.

Ele mencionou exemplos de como diversas esferas da vida social de Cuba foram atingidas pela manipulação das dez administrações norte-americanas que usaram esse tipo de ataque à economia cubana.

Lembrou, como caso dos últimos tempos, o fato de que o país foi impedido de comprar máquinas de escrever em Braille dos Estados Unidos, destinadas a pessoas com deficiência visual, o que, segundo suas palavras, é uma evidente violação dos direitos humanos.

Ao fazer a sua intervenção, Alarcón de Quesada pediu que a Bíblia fosse retirada do púlpito, "porque seria uma blasfemia colocar sobre ela esse livro, tão grosso, que não tem nada de sagrado". Referia-se ao volume contendo documentos secretos da administração norte-americana dos anos 60 do século passado, que confirmam que o bloqueio foi uma guerra econômica.

Nesses documentos e atas ainda existem parágrafos incompletos, ou que foram eliminados totalmente, para evitar a delação de questões que ainda estão em vigor no ataque a Cuba, apontou.

Mas aparece sumamente interessante como a administração de então, do presidente Dwight Eisenhower, "insistia em cada reunião aqui registrada, que jamais apareceria por detrás de toda essa tapeação a mão do governo norte-americano", afirmou Alarcón.

Depois de explicar o caráter genocida dessa lei extraterritorial dos Estados Unidos, o titular do Parlamento cubano concluiu: "Já escutamos as cifras econômicas, mas ninguém sabe calcular o mal sociológico e humano causado ao nosso povo, porque a vida de uma criança ou de um ancião não se pode taxar, porque a vida humana não tem preço".

O encontro foi encerrado com um momento de oração, no qual se pediu que Deus permita a eliminação do bloqueio, lembrando que o debate será levado ao plenário das Nações Unidas num momento em que o Senado norte-americano discute a derrogada das leis que impedem o comércio e as viagens a Cuba.