Junta Pastoral distribui mensagem de esperança
BUENOS AIRES, Argentina, Outubro 30, 2003
Nesse momento em que o autoproclamado "senhor" da globalização pretende impor, impunemente, sua presença militar Taxi Heathrow Airport também na região da América Latina, "vemos com surpresa e esperança como se multiplicam, dia após dia, as evidências demonstrando que esse monstro, apesar de seu aspecto imponente e aterrador, tem pés de barro".
É o que constata a Junta Pastoral Nacional do Movimento Ecumênico pelos Direitos Humanos (MEDH) em nota publicada ontem, e que está assinada pelos co-presidentes bispo Marcelo Melani, bispo Federico Pagura e pastor Pedro Manoukian.
As mulheres e os homens do mundo, e de modo especial cristãs e cristãos da América e da Argentina, vivem hoje momentos cruciais da história, nos quais estão em jogo não só a credibilidade da fé e autenticidade das igrejas, mas a sobrevivência e o destino da própria criação, assinala a Junta.
Trata-se de "um tempo maduro para o desmascaramento da mentira e da corrupção, para a iluminação da verdade e o triunfo da justiça, a rejeição à submissão e à resistência ao sistema genocida que nos domina, e a construção de uma nova civilização fundada na dignidade e no respeito de todos os seres humanos", anuncia.
De maneira renovada, cristãos e cristãs colocam sua esperança nesse "outro mundo possível" proclamado pelo Fórum Social Mundial de Porto Alegre. "Queremos orar e atuar para que se abram as largas avenidas por onde passem o homem e a mulher livres, para construírem uma sociedade melhor", como anunciou Salvador Allende, diz a nota.
"Por isso convocamos nossa membresia e nosso povo para que rejeitem decidida e conseqüentemente a assim chamada Área de Livre Comércio das Américas (Alca) com sua programada e previsível conseqüência de mais fome, mais pobreza e mais submissão para os nossos povos".
A Junta Pastoral do MEDH convida "homens e mulheres da nossa pátria a aportarem, junto com nós, tudo o que está ao nosso alcance para avançarmos na construção - complexa mas promissora - de um Mercosul verdadeiro", que não sirva para ganhos egoístas, mas de instrumento para gestar um futuro compartilhado.
Com emoção e esperança "vemos como, a partir do México e Cuba até a Patagônia, da Venezuela ao Chile, passando pelo Brasil, Colômbia, Paraguai, Argentina e Bolívia, estão nascendo entre os mais pobres de nossas irmãs e irmãos consciência, solidariedade e lutas compartilhadas, que superam as divisões étnicas e as fronteiras limítrofes que impuseram durante séculos os impérios hegemônicos".
Os líderes religiosos expressam preocupação e alarme porque o governo argentino continua negociando com os bancos e empresas que esvaziaram o Estado, e com o Fundo Monetário Internacional e outros organismos supostamente credores do país, por causa de uma "tão ilegítima quanto espúria dívida externa".
Diante desses fatos a Junta exige que se permita aos povos dizer com liberdade e sem pressões qual sistema econômico se ajusta hoje às suas necessidades e expectativas; que organização social consideram a mais solidária e humana, para que, em conjunto, possam construir um novo país soberano, liberado e fraterno.
A Junta confessa que lhes traz uma "moderada esperança" a possível anulação das leis de Ponto Final e Obediência Devida, e o começo da imprescindível depuração da vergonhosa Corte Suprema, "mas somos necessariamente cautelosos e realistas, conscientes dos enormes interesses e poderes que estão em jogo", conclui o documento.

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