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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2003

Jürgen Moltmann, teólogo da esperança [Foto:katholisches Deutschland ]
Jürgen Moltmann, teólogo da esperança [Foto:katholisches Deutschland ]

Teólogo da esperança admite união com Pedro

ROMA, Italia, Outubro 10, 2003

As igrejas cristãs estão prontas hoje para uma "união com Pedro, mas não sob Pedro". Taxi Heathrow Airport A opinião é do teólogo luterano Jürgen Moltmann, 77 anos, em entrevista para a revista italiana mensal "Jesus", edição de setembro. Moltmann é o pai da Teologia da Esperança.

Ao ser perguntado o que deve ser colocado na ordem do dia da reflexão teológica, o teólogo alemão defendeu, na entrevista, "um novo modo de estar na Igreja e nas igrejas, caso contrário se vai para o ateísmo", e uma nova teologia da ressurreição.

"Os luteranos aprofundaram muito a teologia da cruz, os católicos, a da encarnação. Agora é necessário dar outro passo: retornar à teologia da ressurreição, que é o início da nova vida em Cristo, e reelaborá-la", disse.

Moltmann converteu-se ao cristianismo em plena II Guerra Mundial. Aos 17 anos, servindo no exército nazista, ele sobreviveu à operação Gomorra da força aérea britânica, que derramou fogo sobre o céu de Hamburgo, em julho de 1943.

Ele viu colega, ao seu lado, ser estraçalhado por bomba inglesa. Naquela noite Moltmann invocou, pela primeira vez, o nome de Deus. E desde então se pergunta: "Por que continuo a viver e não morri como os outros?"

Esse foi o início da sua fé. "O meu primeiro impacto com Deus foi com o seu lado obscuro", relatou para "Jesus". Preso, com sentimento de culpa pelo que seu povo fizera na guerra, ele começou a ler a Bíblia "quase que por acaso".

Fez amizade com cristãos escoceses e ingleses. "Quando, em 1948, terminou a minha prisão, eu não sabia a que igreja deveria pertencer, mas sabia que teria que estudar teologia", relatou.

Mais tarde, em 1953 a 1958, como pastor luterano na pequena comunidade de Bremen-Waserhorst, Alemanha, "me dei conta de que a interpretação do texto deve estar ligada à experiência de comunidade que os homens e as mulheres fazem nas suas famílias, no trabalho, na vida cotidiana. A teologia puramente acadêmica e apartada me parece um deserto", classificou. A fé precisa de "simplicidade", definiu.

O mesmo acontece com o ecumenismo, que não se pode fazer somente em nível acadêmico. "Na Alemanha, por exemplo, foram os matrimônios mistos que deram um grande impulso ao diálogo", contou.

Moltmann recorreu a um velho dito sapiencial – "conhecer Deus significa sofrer Deus"- para explicar um pouco a sua teologia da esperança.

"Sofremos Deus quando Ele parece esconder o seu rosto de nós, quando experimentamos a sua ausência. Mas este não é o único rosto de Deus. Existe um rosto que ‘brilha’ e que torna plena a vida. A minha teologia da esperança dá conta de ambos os rostos", disse na entrevista, arrematando que "a morte não é, verdadeiramente, a última palavra".

Para o teólogo da esperança, a realidade é uma ilha com muitas possibilidades. "A esperança é a chave que ajuda a ver todas essas oportunidades", afirmou.