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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2003

Igrejas européias enfrentam novos desafios e oportunidades

KIEV, Ucrania, Outubro 10, 2003

Embora as igrejas da Europa Oriental e Central enfrentem um mundo cada vez mais indiferente Taxi Heathrow Airport e secular, a situação também lhes oferece novas oportunidades e desafios, que significam possibilidades de aprender, declarou Otniel Loan Bunaciu, professor do Seminário Teológico de Bucareste.

Filho de pastor batista que foi testemunha de muito sofrimento e perseguição em seu país de origem, a Romênia, Bunaciu disse que os tempos mais difíceis sob o regime comunista produziram, também, circunstâncias benéficas para os crentes, não só pelas vidas transformadas dos que se arrependeram e aceitaram a Jesus Cristo como seu salvador.

Bunaciu apresentou conferência de adoração, auspiciada pela Igreja Batista da Ucrânia, sobre o tema "A vida espiritual do crente". Comparado com as falsas esperanças da nova sociedade prometida pelo regime marxista, "a mensagem de esperança cristã foi mais atrativa", assinalou.

Os membros da igreja aprenderam como o sofrimento e a perseguição fortaleceram sua decisão de aceitar a vontade de Deus.

Pelo fato de não puderem capacitar líderes teológicos, as igrejas tiveram que confiar em pessoas leigas, geralmente as que tinham maior aceitação entre a população. As igrejas batistas, afirmou, dependeram de engenheiros, cientistas, médicos, professores e outros profissionais.

A contribuição dos leigos aos ministérios das igrejas foi um aspecto essencial que permitiu-lhes crescer sob o sistema comunista, frisou.

Quando, sob o regime comunista, os "privilégios tradicionais" das igrejas foram abolidos, a maioria dos membros de outras religiões não deixou suas congregações, mas um grande número de cristãos o fez, demonstrando que o eram apenas de nome.

Naqueles tempos, as igrejas evangélicas pregavam arrependimento e uma mudança no estilo de vida, que facilmente se distinguia do resto da sociedade. Atualmente, comentou Bunaciu, a igreja é vista como uma comunidade alternativa porque está separada do mundo e tem um forte sentido de identidade.

Agora as igrejas enfrentam novos desafios, disse Bunaciu. Entre esses, arrolou "um espírito de confusão", o divisionismo, o isolamento, a aceitação total da cultura ocidental e a necessidade de tratar temas a respeito da justiça social.

Uma vez libertada, a Europa Oriental "esteve num caminho de transição perpétua" e experimenta "tempos instáveis", afirmou o professor. Isso também vale para a igreja, que deve estar muito atenta para manter o seu rumo entre o materialismo comunista e o materialismo ocidental.

Durante o período comunista, explicou, a igreja se mostrava como a única alternativa para a nova sociedade comunista. "Era possível provar que o novo homem realmente existia e que os pecadores, que nasciam de novo depois do seu encontro com Cristo pela fé, viviam vidas totalmente diferentes".

Agora as linhas entre a igreja e o mundo são confusas por causa da forte influência ocidental e uma "mescla de pós-comunismo e pós-modernismo". A própria igreja encontra-se "numa confusa situação", apontou.

Forçadas pelo comunismo a trabalharem juntas, as igrejas livres tomaram, agora, caminhos diferentes na relação entre igreja e Estado. A Igreja Ortodoxa vê-se como a igreja oficial e tem muita influência política, disse.

A Igreja Ortodoxa não gosta do "ativismo batista" e isso fez, muitas vezes, com que sacerdotes ortodoxos incitassem a violência contra crentes de outras denominações.

Bunaciu disse que os batistas ainda continuam edificando igrejas impressionantes e realizam um ministério social muito importante, não raro com ajuda do ocidente. Isso "acrescenta a suspeita de que eles realmente são estrangeiros na cultura local", destacou.

Em reportagem da Aliança Batista Mundial, Bunaciu advertiu os cristãos da Europa Ocidental para que avaliem os valores ocidentais com muito cuidado e se dêem conta de que os europeus orientais têm muito a contribuir para a fé cristã mundial, baseados no grande sofrimento da igreja.

Bunaciu advertiu que certas estratégias e métodos de crescimento de igrejas no ocidente não funcionaram na Romênia por causa das diferenças culturais e econômicas. Os cristãos romenos, por exemplo, não podem manter ou edificar grandes igrejas com ajuda do Ocidente porque não contam com a quantidade de membros suficientes para tanto.

A dependência econômica do Ocidente levou ao que um pastor romeno define como o quinto evangelho, "o evangelho de acordo com o patrocinador". Bunaciu também manifestou preocupação com a dependência teológica das igrejas romenas do Ocidente e com a necessidade de preservar a cultura romena.

"A Igreja de Jesus Cristo não deixou de existir durante os anos do comunismo. Se Deus estava trabalhando entre sua gente durante aquele período, seguramente Ele está trabalhando também agora. Seria de muito benefício para a família cristã global tratar de compreender e aprender como Deus estava se movendo entre sua gente, inclusive nos anos tão difíceis como foram os do comunismo", enfatizou.

O professor de Teologia sublinhou que simplesmente importar certas posturas teológicas de outros países produziu conflitos nas igrejas e, em muitos casos, os temas não são tão relevantes para as igrejas da Europa Oriental e Central.

Ai aparece a pergunta a respeito do isolamento e como a Igreja deve se relacionar com o mundo em tempos pós-comunistas. A separação foi muito forte durante o comunismo e conduziu a uma "falta de comunicação com o mundo exterior", até mesmo a sentir medo desse mundo exterior por causa do "complexo de inferioridade".

"Perseguir a santidade pessoal divorciada da preocupação genuína pelo mundo traz consigo o racismo, a rejeição do pobre, a falta de interesse pelo ambiente e a aceitação da perseguição", admoestou Bunaciu. "Creio que os batistas devem considerar seriamente o fato de que o seu testemunho pode ser muito relevante", acrescentou.

Quanto à corrupção existente na maioria dos países que antes eram comunistas, Bunaciu exortou a igreja batista a "redescobrir as raízes de sua espiritualidade seguindo Cristo". Ela deve "sair e começar a envolver-se com o dia-a-dia na vida do crente", aconselhou.