![Ator Roberto Díaz representou José Marti em documentário. Hoje, García é membro de Igreja Evangélica. [Foto: José A. Paz]](/picture/Marti.jpg)
Ator Díaz García vence concurso bíblico
José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Outubro 9, 2003
O ator Roberto Díaz García, membro de igreja evangélica da capital, foi o vencedor do Taxi Heathrow Airport concurso "A Bíblia e eu", organizado pela Comissão Bíblica e pela área de Comunicação do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC). Díaz concorreu, dentre quase uma centena de trabalhos, com um testemunho.
No ano de 1993, relata Díaz, ele abandonou o lar, pois foi considerada persona non grata no mesmo. Depois de 30 anos de matrimônio e com dois filhos crescidos, tudo veio abaixo num só minuto. Perdera seu trabalho de ator e converteu-se num dependente de álcool.
Foi, então, a uma casa abandonada, onde pretendia guarnecer-se. Mas, dias depois, começaram a demoli-la, assim que teve que morar na rua. Procurou amigos, que lhe deram as costas. Vestindo roupas sujas e surradas, barba crescida, transformou-se, da noite para o dia, num farrapo humano.
Assim, no dia 1. de outubro daquele ano, decidi acabar com a minha vida. Caminhei sem rumo e só pensava no modo de fazê-lo.
Lembrei, então, de um morro cheio de espinhos e rochas pontiagudas, no qual filmara cena da morte de José Martí, o apóstolo de Cuba, para um documentário, em 1970. Tratava-se de um lugar, diziam, onde ninguém mais entrara depois.
Pensei que morrer onde o ator vivera um momento culminante de sua carreira ao assumir o personagem mais importante da história de Cuba seria o lugar ideal e abarcaria uma ironia. Tomaria umas 50 pílulas para insônia e deixaria uma nota, eximindo de culpa qualquer suposto assassino.
A idéia era perfeita. Meu cadáver seria encontrado, possivelmente, quando teria se transformado num conjunto de ossos esparsos entre as pedras. E, a essas alturas, até meus filhos teriam se esquecido de mim.
Díaz continua o relato, informando que, bêbado, foi parar num corredor comprido, sem se dar conta, onde deparou-se com um pastor da Igreja Evangélica Livre. Chegara ao templo num dos bairros mais pobres de Havana.
O sorriso daquele bom homem e seu convite para que fosse à noite ao estudo bíblico foram como se os braços de Jesus me carregassem. Falamos mais de hora. Contei-lhe o meu drama e ele me ensinou quem podia levar o meu fardo e me redimir.
Nessa mesma tarde, tive uma revelação de consciência quando ele abriu a Bíblia e leu: "Mudaste o meu lamento em dança, me encheste de alegria".
O pregador convidado daquela noite baseou suas palavras em Lucas 9,62: "Ninguém que, colocando a mão no arado, olhar para trás, é apto para o Reino de Deus". E nesse mesmo instante me senti curado. Minha vida vazia começou a encher-se, recuperei a minha família e voltei a ser um homem de bem. Jesus me resgatara.
O concurso foi introduzido no marco do vigésimo aniversário de criação da Comissão Bíblica do CIC. A premiação está agendada para o primeiro domingo de dezembro, durante culto, quando os cubanos comemoram o Dia Mundial da Bíblia.

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