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Domingo, 30 de Maio de 2004

Seminário debate influência de pesquisa no voto do eleitor

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Outubro 7, 2003

A orientação que igrejas, sindicatos e associações prestam em períodos eleitorais influencia menos o eleitor Taxi Heathrow Airport brasileiro do que conversas entre amigos, familiares, e notícias divulgadas pelas mídias.

O dado é de pesquisa do DataFolha realizada no dia 4 de setembro passado, extraído das 635 entrevistas feitas com eleitores da cidade de São Paulo. O DataFolha quis levantar a influência das pesquisas de intenção de voto sobre o eleitorado.

Constatou, então, que a divulgação de pesquisa eleitoral não alterou o voto de 81% do universo de eleitores entrevistados de São Paulo; 13% admitiram que a divulgação da pesquisa fez com que mudassem o voto.

Resultado próximo a isso chegou o Instituto Mapa Pesquisa, de Florianópolis, ao perguntar parcela do eleitorado catarinense o quanto a divulgação de pesquisa eleitoral influenciava o seu voto: 66% responderam que influencia em nada; 21% um pouco; 11% que influenciava muito.

Os dados foram apresentados no seminário "Os meios de comunicação e as pesquisas eleitorais", organizado pela Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), reunindo, no dia 3 de outubro, em Porto Alegre, 720 pessoas, representantes de institutos de pesquisa, da imprensa, de partidos políticos, da Justiça eleitoral, professores e estudantes.

"Aqui estão representados os que produzem, os que divulgam as pesquisas e os que são por ela prejudicados ou beneficiados", disse na abertura do seminário o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, coordenador do evento.

Na eleição ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, no ano passado, a RBS sofreu duras críticas pela discrepância entre o resultado apurado pelo instituto de pesquisa contratado pela empresa e os números das urnas. O conglomerado de comunicação passou a buscar o aperfeiçoamento da cobertura eleitoral, processo no qual se enquadra a realização do seminário.

O diretor executivo da Ipsos Opinion, Örjan Olsén, definiu, na palestra de abertura do encontro, que as pesquisas de intenção de voto têm uma enorme influência sobre o processo eleitoral, mas é menor sobre o eleitor. A pesquisa, disse, determina a agenda da eleição, influencia o ânimo da militância, a coleta de fundos, a orientação do programa de governo, a propaganda eleitoral.

A pesquisa "traz o leitor para dentro da campanha", afirmou. Conferencista e reatores defenderam a pesquisa de intenção de voto, alegando que ela é uma informação que o eleitor tem direito de saber.

A pesquisa é uma "fotografia do momento", definiu o diretor presidente do Instituto Mapa, José Nazareno. Ela não é infalível. "Divulgar a pesquisa é um serviço de utilidade pública e um exercício de cidadania" oferecido pelos institutos de pesquisa, acrescentou.

Representantes dos institutos e da imprensa defenderam a auto-regulamentação como instrumento para coibir abusos na realização e divulgação de pesquisas de intenção de votos.

Na "infância da nossa democracia", prejudicada pelos mais de 20 anos de ditadura militar, é preciso redimensionar a importância que os órgãos de comunicação dão às pesquisas, transformando-as numa informação apenas acessória, defendeu Sandro Vaia, diretor de Redação do Jornal O Estado de São Paulo.

O diretor presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, pediu que a legislação exigisse dos partidos políticos o mesmo compromisso que cobra da imprensa na divulgação de pesquisas eleitorais. Nos programas eleitorais gratuitos dos partidos nas mídias não raro dados de pesquisas são manipulados a seu bel prazer, sempre em benefício de seus candidatos.

No Brasil, disse Montenegro, vota-se muito mais nas pessoas do que nos partidos. E apontou para a dança das cadeiras na Câmara federal, onde cerca de um terço dos eleitos no ano passado mudou de partido este ano.

O diretor geral do DataFolha, Mauro Francisco Paulino, explicou que o instituto que dirige remete aos órgãos de imprensa uma ficha técnica para a leitura dos dados que apura na pesquisa de intenção de votos, inclusive com proposta de manchete. A leitura técnica, arrolou, não tem apelo jornalístico.

Na palestra sobre "A prática da pesquisa eleitoral na mídia", o presidente da Associação Nacional de Jornais e diretor superintendente do grupo O Estado de São Paulo, Francisco Mesquita, destacou que a pesquisa, embora possa influenciar, afere tendências.

É o entendimento da intenção de voto, "não é o voto", definira na sessão anterior do seminário o diretor do Centro de Estudos e Pesquisa da Faculdade de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEPA), Fernando Bins Luce.

Mesquita lembrou que a imprensa é, depois da Igreja Católica, a instituição na qual os brasileiros mais confiam. Disse que é preciso acabar de vez com a idéia de que brasileiro não sabe votar. Olsén enveredou pelo mesmo viés: "Temos que deixar de ser os avaliadores dos critérios de escolha dos eleitores segundo os nossos critérios".

Olsén assinalou que o efeito "Maria vai com as outras", atribuído de modo empírico ao efeito das pesquisas de intenção de votos sobre o eleitor, é mínimo e propôs que se verificasse, antes, que influência pode-se levantar nas regiões onde políticos são detentores de meios de comunicação de massa.


O documento final do seminário, preparado por observadores convidados, defende a realização e divulgação das pesquisas eleitorais, "com os devidos cuidados, de forma a garantir o direitos constitucional do eleitor de liberdade de escolha de seus governantes". E indaga, no final, se candidato ou político pode ser proprietário de meios de comunicação e se os meios de comunicação podem ter o direito de apoiar candidatos explicitamente.