Artigo analisa deserções na Igreja Católica
LIMA, Perú, Outubro 6, 2003
Artigo publicado no diário La República analisa a deserção de fiéis da Igreja Católica e Taxi Heathrow Airport o surgimento de cultos cristãos e não-cristãos, que se multiplicaram na última década no Peru.
Serviu de base ao artigo o livro publicado no ano passado pelo sociólogo José Luis Pérez Guadalupe. O autor tenta explicar porque crentes católicos foram parar em outros cultos. O estudo responsabiliza a própria Igreja Católica pelo afastamento de seus fiéis.
Essas reflexões, diz o artigo do jornal, são muito oportunas, ainda mais agora, quando a Igreja Católica atravessa uma pequena tormenta por causa do questionado projeto de proibir os "abusos litúrgicos" (aplausos e danças) durante as missas, e o pedido de excomunhão de dois jovens de Lima, Miguel Guerra León e José Enrique Escardó Steck.
Em entrevista ao jornalista Luis Velásquez Campos, publicada pelo La República na quinta-feira passada, Pérez Guadalupe disse que "há uma chegada deficiente por parte da Igreja Católica à membresia. Isso provocou o afastamento de muitos de seus servos".
O teólogo e educador entende que essa situação criou os espaços e as oportunidades que os diversos cultos cristãos e não-cristãos precisavam para se estabelecerem e se converterem em grupos importantes na sociedade.
As pessoas que abandonam o catolicismo, advertiu, nem sempre deixam de ser cristãs. "A maioria decide manter a sua fé. Ingressam em igrejas evangélicas, onde podem professá-la livremente".
Outro possível motivo da lenta redução do número de católicos no Peru, arrola Pérez, é a definição muito ambígua do que significa ser um devoto católico, enquanto os evangélicos se convertem em verdadeiros militantes e têm suas crenças e conceitos religiosos definidos.
Uma explicação adicional apresentada pelo autor do livro "Ecumenismo, seitas e novos movimentos religiosos" é a atual carência de representantes da Igreja Católica e a pouca presença de sacerdotes nas áreas mais afastadas no Peru. "Enquanto que para cada 300 mil evangélicos existe um pastor, no catolicismo temos que para cada 10 mil membros há um sacerdote", comparou.
Isso permite aos evangélicos, segundo o sociólogo, formar comunidades pequenas, unidas e fraternas, onde todos se conhecem e interagem de modo direto. O contrário acontece na fé católica, onde o tratamento é impessoal por causa do grande número de fiéis por religioso.
O sociólogo adverte que muitos crentes católicos que agora participam em cultos evangélicos buscaram, em algum momento, uma aproximação desse tipo na sua igreja e não a encontraram.
Embora não existam dados oficiais, a fé católica predomina no país. Estima-se que 80% das pessoas que professam alguma religião se declarem católicas. O problema reside, então, no pouco interesse dos católicos em demonstrar essa realidade, aponta Pérez Guadalupe.
Isso demonstra o reduzido número de fiéis católicos que vai à missa aos domingos – apenas 5% -, enquanto que os evangélicos congregam pelo menos 10% de seus fiéis.
Entre um e outro universo de crentes (evangélicos e católicos) há uma diferença abismal, pois enquanto os primeiros somam cerca de 2,5 milhões de crentes, os católicos ultrapassam os 20 milhões de fiéis.
Para neutralizar essa tendência, Pérez recomenda que o catolicismo "re-evangelize a sociedade", que saia dos templos e ocupe outros espaços "para evitar que continue essa tendência".
Segundo o livro, no ano passado havia no Peru um total de 3,41 milhões de pessoas membros de cultos não-católicos de inspiração cristã. Dessas, 2,5 milhões eram evangélicas; 527 mil adventistas; 200 mil da Missão Israelita do Novo Pacto Universal; 78,9 mil testemunhas de Jeová; 50 mil da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) e 60 mil de outros grupos.
A pergunta "por que se vão os católicos?" foi respondida também pelo diretor executivo do Conselho Nacional Evangélico do Peru (Conep), Victor Arroyo. Ele disse que as mudanças sociais que o país experimentou nos últimos anos permitiram o aparecimento e crescimento de numerosas manifestações religiosas, entre elas sobressaindo-se o cristianismo evangélico.
Diferente de outros cultos, apontou Arroyo, "somos solidários e não captamos as pessoas com riqueza. Os recém chegados aqui encontram alegria, irmandade, contato pessoal e o espaço de reconhecimento que buscam". Prova disso, prosseguiu, é que em Ayacucho, em plena década de 80 (quando o terrorismo assolava a região), os evangélicos conseguiram um grande desenvolvimento.
O padre católico Juan Sokolich, prior do convento de Santo Domingo, ao ser perguntado se via a Igreja Católica ameaçada pelo surgimento e proliferação de uma série de cultos no país, afirmou: "A Igreja Católica existirá para sempre".
"Não temos medo deles. Não há que se preocupar se um grupo cresce. Ao contrário, alegra-nos que tenham fé. Tampouco somos dependentes dos números e da publicidade. Basta-nos saber que nossos irmãos estão fazendo o seu trabalho pastoral em lugares onde antes não tínhamos presença alguma", disse Sokolich, citando países com Nigéria, Rússia, Paquistão e Japão.

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