Bush é um perigo para o mundo, diz teólogo norte-americano
Carlos Ramos, QUITO, Ecuador, Outubro 2, 2003
O presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, constitui um perigo para a nação e Taxi Heathrow Airport o mundo. "Deus queira que ele não se reeleja, pois se acontecer a sua arrogância não terá limites", disse o teólogo norte-americano Juan Stam.
Durante café da manhã no dia 29 de setembro, no marco do Fórum Cristão de Reflexão Política, reunido em Quito, Stam mencionou que há pouco tempo, e a pedido de um grupo de estudantes, escreveu a respeito do pensamento político do presidente dos Estados Unidos.
Para essa tarefa, ele pesquisou, leu discursos de Bush na campanha eleitoral e também como presidente, e encontrou uma constante que se resume em "três Ms": maniqueísmo, messianismo e manipulação.
"Deixo de lado a relação pessoal do senhor Bush com Deus, é um problema dele e Deus. Minha análise remete-se ao discurso público e suas implicações religiosas, uma vez que o senhor Bush se proclama homem de fé, evangélico e metodista", explicou.
Segundo Stam, o maniqueísmo de Bush expressa-se em afirmações tipo a luta no mundo que se dá entre o bem absoluto e o mal absoluto; os Estados Unidos representam o bem e os muçulmanos o mal. A tarefa dos bons é lutar e acabar com o mal e os malvados.
Manifesta-se também quando sustenta: "Quem não está conosco está contra nós. Quem não apoia a política do presidente está do lado dos terroristas. A missão dos Estados Unidos é libertar o mundo da maldade e perversidade dos terroristas".
O maniqueísmo fica patente ainda quando o presidente diz que "há no mundo um ‘eixo do mal’ que pretende acabar com as conquistas dos bons e afundar todos na escravidão de seu sistema. Fazem parte desse eixo do mal o Afeganistão e o Iraque". Em inglês, lembrou Stam, a frase ‘eixo do mal’ tem uma conotação muito mais forte do que em espanhol ou em português, pois passa a ser entendido como algo diabólico.
O messianismo manifesta-se na convicção de Bush de ser eleito para redimir os oprimidos dos regimes autoritários e levar até eles a luz de uma democracia à americana. Os soldados norte-americanos representam o melhor dos Estados Unidos, e são chamados a libertar os cativos do totalitarismo e anunciar a eles as boas novas da sociedade ocidental, analisou o teólogo.
A certeza de ter sido escolhido do alto para missão tão transcendente leva Bush a desconsiderar o pedido de João Paulo II, a não se importar com a opinião do ex-presidente Jimmy Carter, e a relevar o que dizem os aliados europeus e as Nações Unidas.
Tampouco conta a opinião dos bispos metodistas, que não foram recebidos por um dos seus fiéis mais ilustres. Bush tem a certeza de estar no caminho certo, assim, a opinião dos que discordam não podem deter a sua marcha, apontou Stam.
O uso de fotos de Bush rezando, o fato de que antes de anunciar o ataque ao Iraque ele solicitou tempo para ficar sozinho; as cadeias de oração pelos soldados americanos durante o conflito; momentos de paz e tranqüilidade para o presidente e sua equipe; o esquecimento nas preces das vítimas da guerra, são formas de manipulação da fé com fins políticos.
Em várias ocasiões, lembrou Stam, Bush parafraseou conhecidos evangélicos, dando um giro político a favor de sua tese. A conclusão à qual se chega, Bush é um ignorante em matéria religiosa ou se trata de um herege.
Em qualquer dos casos, está colocando Deus como parte da guerra e da agressão, quando, para os evangélicos, Deus proclama a paz, a reconciliação, o perdão, o arrependimento dos pecados, o amor e a fraternidade entre pessoas e povos.
Hoje se diz que há dois poderes nos Estados Unidos: a Casa Branca e a opinião pública. A opinião pública forma-se, em grande medida, por esse milagre recente da Internet e o correio eletrônico. "A nós cabe fazer opinião, essa é a nossa tarefa", conclamou o teólogo.

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