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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2003

Comunicadores católicos repudiam sensacionalismo na TV

SÂO PAULO, Brasil, Outubro 1, 2003

Agentes da Pastoral da Comunicação das Dioceses do Estado de São Paulo e representantes de Taxi Heathrow Airport mídias católicas repudiaram, no manifesto "O que constrói a comunicação na TV?", os modelos de comunicação que "despertam e até promovem a violência e a morte nos programas que atentam contra a dignidade do ser humano em favor do sensacionalismo".

Comunicadores e agentes da Pastoral da Comunicação da Regional 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estiveram reunidos na cidade litorânea de Santos, dias 19 a 21 de setembro, para uma leitura crítica dos programas sem padrão de qualidade veiculados na televisão e que disseminam contravalores humanos e cristãos.

O encontro tinha disponível farto material de análise. No programa Domingo Legal, o apresentador Gugu Liberato, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), levou a ar, no dia 7 de setembro, entrevista com dois homens encapuzados, que se apresentaram como membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os entrevistados fizeram ameaças de morte a personalidades, entre elas o vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo, o apresentador da TV Bandeirantes, José Luiz Datena, e o padre Marcelo Rossi. Foi descoberto, mais tarde, que os encapuzados eram dois artistas que receberam dinheiro para a farsa. A Justiça suspendeu o programa, entendendo que a reportagem incitava o crime.

A televisão, diz o manifesto dos comunicadores católicos, "é um bem social, de concessão pública e deve estar a serviço da sociedade na construção de uma comunicação cidadã, devolvendo e promovendo a dignidade humana, para a formação de uma sociedade justa, solidária e fraterna. Porém, o povo é refém do sistema de comunicação comercial, sem um projeto alternativo ao qual tem direito".

Falando no encontro de Santos sobre "A democratização da televisão brasileira", o jornalista e sociólogo Luarindo Lalo Leal Filho destacou que a TV acaba transformando a mercadoria numa ideologia, porque "consumir é uma ideologia", e que nessa lógica "só é cidadão quem consome".

Leal Filho vê, contudo, que a TV é um meio com diversas potencialidades, que pode contribuir à cultura e cidadanias brasileiras. Umas das alternativas, disse, seria a produção de documentários para melhorar a qualidade da TV. Hoje, a falta de controle da programação dificulta a apresentação de projetos culturais importantes e impõe a idéia de que a TV só veicula aquilo que o povo quer.

O deputado federal Orlando Fantazini, do Partido dos Trabalhadores de São Paulo, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, apresentou a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania".

A campanha consiste no acompanhamento permanente da programação da TV para indicar os programas que, de forma sistemática, desrespeitam convenções internacionais assinadas pelo Brasil, princípios e leis que protegem os direitos humanos e a cidadania.

Entre as diversas formas de desrespeito aos direitos humanos na TV, enquadradas como "baixaria", encontram-se a apologia e incitação ao crime, à prática da tortura, linchamento e outras formas de violência; discriminação racial, de gênero, religiosa e de orientação sexual; afronta à dignidade de pessoas fragilizadas e o estímulo à precipitação da sexualidade infanto-juvenil.

Fantazini acredita que uma estratégia de combate a esse tipo de programação é a vinculação da imagem das empresas patrocinadoras que promovem a "baixaria". As empresas, disse, devem apresentar balanços positivos também no que diz respeito à sua responsabilidade e papel social.