Festival de Cinema mostra filmes contra guerra, racismo e globalização
Esteban Cuya, NUREMBERG, Alemania, Setembro 22, 2003
O 3. Festival do Cinema de Direitos Humanos, sob o título "Perspectivas", vai exibir, de Taxi Heathrow Airport 22 a 28 de setembro, nesta cidade, 48 filmes e documentários.
Os trabalhos abordam temas que vão desde a problemática dos asilos na Alemanha, o conflito no Oriente Médio, na Índia e no Paquistão, a luta dos grupos antiglobalização, das crianças na guerra na África e Ásia, até as ditaduras militares na América Latina.
O Festival dará um prêmio de 5 mil euros ao diretor que o corpo de jurados internacional apontar como o melhor da mostra. Integram o júri o ativista tcheco Igor Blazevic, a cineasta holandesa Katarina Rejger, a diretora de cinema Nina Kusturica, da Bósnia-Herzegovínia, a cineasta alemã Cornelia Geiser, e o crítico de cinema Jochen Schmoldt.
O prêmio, arrolam os organizadores do Festival, é um incentivo para que cineastas contribuam com seus trabalhos na promoção dos valores da paz, da solidariedade e do compromisso frente à injustiça e às diversas formas de opressão.
"O Festival permite mostrar que o meio audiovisual pode desempenhar um papel importantíssimo para a informação, a documentação e a recuperação da memória. Ele oferece aos espectadores visões sobre as condições de vida de pessoas em diversas culturas, das graves violações à dignidade humana e seus direitos. Também envia mensagem chamando à solidariedade e ao compromisso pessoal contra a violência e a injustiça", afirmou o prefeito de Nüremberg, Ulrich Maly, na abertura do evento.
Na solenidade de abertura, o Festival apresentou retrospectiva do diretor norte-americano Michael Moore ("Browling for Columbine", "Canadian bacon", Roger and me"). Também homenageou o cineasta holandês Johna van der Keuken, que filmou mais de 45 filmes e documentários, entre eles "The eye above the well", "The flat jungle", "Living with your eyes", "The long holiday".
Em contraste com a fábrica de sonhos (Hollywood) e seus produtos orientados para o mercado e suas demandas, o Festival do Cinema de Direitos Humanos define-se como uma oficina, disse Matthias Fetzer, diretor do evento.
"Muitos dos filmes que apresentaremos foram rodados com o pessoal correndo riscos, às vezes com câmaras e equipamentos singelos, usados por pequenas equipes, quando não só pelo diretor do filme", explicou Fetzer.
O Festival tem anunciado "Los hijos de Pinochet", de Paula Rodríguez, e "Diário de um fotógrafo", de Patrich Zachmann, que tratam da ditadura militar chilena; "Raimundo", de Ernesto Ardito e Virna Molina; "Verschwoerung des Schweigens" – A conspiração do silêncio, de Frieder Wagner e Elvira Ochoa; "Condor, o eixo do mal", de Rodrigo Vasquez, relacionado aos desaparecimentos ocorridos na Argentina e países do Cone Sul nos anos 70 e 80 do século passado; "Do outro lado", que trata da migração na fronteira do México com os Estados Unidos.
Após as apresentações dos filmes acontecem encontros de discussão e intercâmbio de experiências com os diretores. Alguns filmes serão exibidos no Museu de História do Congresso do Partido Nazista, em Nüremberg, em salas especiais e cinemas culturais da cidade.
O prêmio será entregue ao vencedor na sexta-feira, 26, pela ministra da Família e Juventude da República Federal da Alemanha, Renate Schmidt.

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