Voltar ao início

Domingo, 4 de Junho de 2006

Resveratrol

Manuel López, MADRI, España, Setembro 19, 2003

Sim, leram bem. Resveratrol. Quem não sabe do que se trata pode ser que esse Taxi Heathrow Airport "palavrão" soe raro, como remédio. Mas não; trata-se de uma substância altamente benéfica que se encontra na uva e se conserva íntegra no vinho.

Uma substância que, por indícios, protege as uvas contra pragas e, macerada e feita vinho, previne enfermidades geriátricas, como o Alzheimer, uma vez que exerce uma ação anticancerígena, o que se traduz na ajuda em prolongar a vida em nada menos que cerca de 30%.

Os cientistas comprovaram, por fim, o que já era sabido desde tempos imemoriais: que o vinho, senhoras e senhores, tem efeitos cardiovasculares saudáveis.

Os que se esforçam em adentrar na cultura do vinho procuram mesclá-lo com água, para "rebaixá-lo". Mas a história nos diz que o correto é justamente o contrário: segundo relatos da época, os soldados romanos utilizavam o vinho para purificar a água durante suas operações militares.

A imprensa internacional divulgou, recentemente, relatório sobre o resveratrol, publicado na revista "Science". A conclusão é que se um homem - ou uma mulher, claro - começa a tomar uma taça de vinho tinto ao dia a partir dos 50 anos, poderia "só como isso ganhar dez anos de vida adicionais".

O vinho, aleluia. Aleluia, porque a Bíblia, graças a Deus, segue sendo o referente. Ai, por tantas campanhas cruéis, demolidoras, ao longo de tantos anos; com tal quantidade de meios e com tão claras motivações econômicas contra o consumo da fruta natural da vida, alentadas a partir dos entornos da toda-poderosa indústria das bebidas de cola. Pergunto-me o que seria de nós, espanhóis, se nos colocássemos nos Estados Unidos anatematizando as bebidas de cola ou chamando de viciados os seus consumidores.

Diz-se que tem que haver gente para tudo, e no meu país, a Espanha, não falta quem, embora não se atrevam a dize-lo, no fundo pensam que a verdadeira integração sócio-cultural da crescente população imigrante só chegará a acontecer no dia em que os estrangeiros, "nossos" estrangeiros, optarem por beber vinho durante as refeições.

Já sei, os que assim pensam não conseguem gozar além de grandes simpatias nos altos despachos eclesiásticos das sedes centrais das missões forâneas. São encarados, de imediato, gente "do mundo", abertamente "pecadora"; pessoas, enfim, "pouco espirituais". Seres politicamente incorretos. Bravo; sou um deles.

O certo é que são montanhas de pesquisas a destacar os efeitos positivos de um consumo moderado de vinho, sobretudo do tinto, nas refeições. Dados o contam - e nos Estados Unidos não têm mais remédio que reconhecê-lo. Os consumidores moderados de vinho baixam em 50 por 100 a probabilidade estatística de morrer por ataque cardíaco; em 20% de morrer por outras causas e também sofrem menos hospitalizações devidas a patologias cardiovasculares.

Ingênuo que sou, sigo sem explicar-me porque em tantas igrejas alienadas com os quartéis da militância comercial, que não ideológica, e muito menos religiosa antivinho, seguem tendo em seus altares um ramalhete de espigas de trigo e uma penca de uva, os sinais do Novo Pacto. Isto posto, eu estaria a animá-las para que pusessem um pacote de mistura de sintéticos e uma lata de bebida à base de cola.

A Bíblia não muda e segue nos dizendo que a vida é um fruto natural da terra. Para nós, na Espanha, a cultura mediterrânea do vinho é tão consubstancial como em Israel!

Jesus bebia vinho! Normal.

As missões internacionais da América para a Espanha o ignoram olimpicamente, mas o Salmo 104,15 afirma que o vinho é uma criação de Deus, como o azeite e o pão. Donde, a) o pão "sustenta a vida do homem", b) o azeite "faz brilhar o rosto" e c) o vinho "alegra o coração do homem".

Alegria e saúde. Não apenas no protocolo, mas no sentido etimológico estrito do termo. O bom samaritano cura o homem meio morte jogado no caminho não com produtos da maleta de primeiros socorros da farmácia, mas com azeite. E vinho! (Lucas 10,34).

------------

Manuel López é jornalista e professor de Ciências da Comunicação. Membro da Primeira Igreja Batista de Madri.