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Sábado, 20 de Novembro de 2004

Evangélicos destacam opção pelos pobres do padre Gorostiaga

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Setembro 19, 2003

O ex-reitor da Universidade Centro-Americana (UCA), padre jesuíta Xavier Gorostiaga, falecido em Bilbao no domingo Taxi Heathrow Airport passado, sempre foi um cristão comprometido com os pobres e amigo dos evangélicos, lembraram dirigentes de igrejas.

O professor Gilberto Aguirre, da Igreja Batista e diretor de Programas do Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad), lamentou a morte de Gorostiaga. Recordou-o como um economista muito amigo da instituição por causa do seu trabalho com as comunidades pobres da Nicarágua.

"Ele nunca recusava proferir uma conferência aos pastores membros da assembléia do Cepad sobre a realidade nacional, e valorizava muito o trabalho da instituição evangélica", destacou o professor Aguirre. "Ele foi um cristão que muito contribuiu para a educação superior e à economia", acrescentou.

A psicóloga Ramona López, egressa da UCA e líder da Igreja Pentecostal Casa de Javé, disse que o padre Gorostiaga preocupava-se com a deterioração do meio ambiente. Ele foi um excelente acadêmico, que sempre prezou a educação e a realidade do país, quando foi diretor de Planejamento do Ministério de mesmo nome, na época do governo sandinista, frisou.

O presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Manágua (CNPEM), Guillermo Ayala, disse que o padre Gorostiaga foi um excelente acadêmico, que deu muito de si para melhorar a educação superior na Nicarágua.

Gorostiaga identificou-se com a causa dos estudantes em suas demandas de prever 6% do orçamento da nação para as universidades. O ex-reitor da UCA foi o criador do Centro de Estudos Econômicos e Sociais da universidade e da revista "Envío", apontou Ayala.

O líder das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, Arnaldo Centeno, destacou, em matéria publicada no "Nuevo Diario", de 18 de setembro, que Gorostiaga foi um companheiro, muito alegre e sensível, que nunca permitiu que a soberba lhe subisse à cabeça, apesar de suas relações com funcionários do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O ex-reitor da UCA, prosseguiu Centeno, esteve muito comprometido com a causa dos pobres e com os próprios pobres. Ou seja, não apenas falava dos pobres e seus direitos, mas falava com eles e os escutava. Lembrou que em suas análises econômicas indicava, recorrendo à imagem da taça de champanha, a acumulação da riqueza no mundo, em mãos de uma minoria consumista.

Gorostiaga foi um cristão conseqüente com o que dizia e fazia. Centeno lembrou que o padre jesuíta oferecia bolsa de estudo para jovens pobres que não podiam matricular-se na universidade.


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