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Domingo, 14 de Setembro de 2003

Kobia quer trazer "ubuntu" ao movimento ecumênico

Edelberto Behs, GENEBRA, Suiza, Agosto 29, 2003

O secretário geral eleito do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Dr. Samuel Kobia, disse  que Taxi Heathrow Airport espera trazer "ubuntu" - aquela força que faz o ser humano humano e o fortalece na luta, no linguajar zulu - ao movimento ecumênico. Ele é o primeiro africano a ocupar o cargo desde a fundação do Conselho, em 1948.

Reportou-se à tomada de decisão por consenso, que o CMI começa a adotar em seus encontros e reuniões, lembrando que ele procede de uma cultura africana na qual essa é a prática comum. O novo secretário pretende introduzir encontros consultivos junto aos seus colegas, em Genebra. "Sou uma pessoa que sabe escutar", afiançou.

Kobia concedeu, hoje, a primeira entrevista coletiva na qualidade de secretário geral eleito, quando convidou as igrejas a empreenderem uma "viagem espiritual" com o CMI, pois "estar juntos, trabalhar juntos, caminhar juntos é o que vai nos ajudar para que permaneçamos juntos no movimento ecumênico".

O novo secretário encara a defesa da dignidade humana, a integridade da criação e o diálogo inter-religioso as ênfases especiais do CMI até a sua próxima assembléia geral, agendada para Porto Alegre, em 2006. Também espera ter uma proposta de reconfiguração do movimento ecumênico definida até esse evento.

Kobia deposita expectativas no encontro que o CMI está chamando para Antélia, Líbano, em novembro, ao qual convidou pessoas de diferentes áreas e denominações. Ele espera que católicos romanos, evangélicos e pentecostais, que não estão envolvidos no Conselho, aceitem o convite para tratar "de uma plataforma ecumênica mais ampla".

O Vaticano, mencionou, tem ajudado o CMI em abrir possibilidades de trabalho conjunto. "Quando se fala em violência, por exemplo, não existe uma violência católica ou uma violência protestante, mas a violência que atinge a todos", apontou. A Igreja Católica participa em comissões e grupos do Conselho, e Kobia quer fortalecer essas relações.

Sobre o assunto da sexualidade humana, disse que o CMI é um espaço de partilha das diferentes posturas desenvolvidas pelas igrejas. As igrejas da África, embutidas num contexto de Aids, não podem deixar de falar da sexualidade humana, e, as da Ásia, na violência sexual, mencionou.

O novo secretário, que assume o cargo em janeiro de 2004, entende que as igrejas da África têm uma espiritualidade riquíssima, e que o continente provavelmente será o centro do cristianismo no século XXI em termos numéricos. 

Ao abrir a entrevista coletiva, Kobia aplaudiu a mudança de concepção entre os cristãos, concentrados, no passado, numa visão estritamente antropocêntrica, ampliada, agora, para uma cosmovisão que abarca toda a criação. Ele definiu o desenvolvimento de uma consciência ecumênica entre os jovens, através de um processo de aprendizagem, como um dos desafios que o Conselho tem a encarar.