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Sábado, 4 de Outubro de 2003

Salomón Lerner, reitor da Universidade Católica e presidente da CVR [Foto: Cverdad]
Salomón Lerner, reitor da Universidade Católica e presidente da CVR [Foto: Cverdad]

CVR destaca papel das igrejas

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Agosto 29, 2003

No relatório final sobre a violência e as violações dos direitos humanos que o Peru vivenciou entre 1980 a 2000, entregue hoje ao presidente Alejandro Toledo, a Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) dedicou espaço ao papel das igrejas no período.

O extenso documento assinala, nessa parte, que a CVR, "através de numerosos testemunhos recolhidos, audiências e estudos realizados, constatou o papel das igrejas Católica e evangélicas durante o processo da violência, como atores que contribuíram para proteger a população de crimes e violações de direitos humanos".

A CVR concluiu que as igrejas evangélicas cumpriram também um valioso papel de proteção dos direitos humanos, "principalmente a partir de suas instâncias de coordenação nacional. Reconhece, ainda, o valor dos pastores que cumpriram esse trabalho de defesa da vida e denúncia da violência com perigo para eles", aponta.

Esses pastores, precisa, cumpriram seu papel em áreas periféricas das grandes cidades e em áreas rurais muito afastadas.

A CVR também reconhece a participação de um significativo número de camponeses evangélicos nos comitês de autodefesa, que enfrentaram a subversão. A Comissão rende homenagem a sacerdotes, religiosos e religiosas, fiéis católicos e evangélicos, que pagaram com sua vida o trabalho pastoral durante o conflito armado interno.

"Institucionalmente, a Igreja Católica condenou desde cedo a violência dos grupos armados, também as violações aos direitos humanos por parte do Estado. Essas posturas concentraram-se em atividades de defesa dos direitos humanos e denúncias das violações", perpetradas por organizações como a Comissão Episcopal de Ação Social (Ceas) e outras, diz o documento.

A CVR chegou à conclusão de que muitas vidas foram salvas e muitas transgressões foram evitadas graças ao concurso dessas organizações, cujo papel foi demandado e reconhecido amplamente pela população, por religiosos e leigos individuais, acima das orientações teológicas ou pastorais, expressa o relatório conclusivo.

Em departamentos como Puno, Cajamarca, Ancash, Ucayali ou Amazonas, "o papel de sacerdotes, leigos e catequiestas contribuiu para fortalecer o tecido social e construir uma barreira" que debilitou o avanço do Sendero Luminoso e o transborde da denominada "guerra suja", indica o documento.

A CRV rende homenagem aos cristãos que defenderam a vida durante o tempo da violência política, e repudia o assassinato de sacerdotes e religiosas no cumprimento da missão, sobretudo nos setores mais desfavorecidos do campo e da cidade.

No documento, a CVR adverte que "a defesa dos direitos humanos não foi firme no arcebispado de Ayacucho durante a maior parte do conflito armado. Durante boa parte do conflito, esse arcebispado colocou obstáculos ao trabalho de organismos da igreja vinculados ao tema, uma vez que negava violações dos direitos humanos".