Líderes evangélicos dialogam com candidatos
GUATEMALA, Guatemala, Agosto 28, 2003
A Associação de Ministros Evangélicos da Guatemala (AMEG), que aglutina mais de 70 pastores, organizou Taxi Heathrow Airport um encontro de diálogo com os candidatos que concorrem à presidência da República. A eleição será no dia 9 de novembro.
A reunião foi realizada num hotel da Cidade da Guatemala, na sexta-feira, e dela participaram cinco candidatos: Rodolfo García, do Partido Verde; Manuel Conde Orellana, do Partido Câmbio Nacional; Eduardo Suger, que postula o cargo pelos partidos Desenvolvimento Integral Autêntico (DIA) e o Partido Libertador Progressista (PLP); Alvaro Colom, da União Nacional da Esperança (UNE); e Leonel López Rodas, do Partido Avançada Nacional (PAN).
Três candidatos se escusaram. Efraín Ríos Montt, que concorre pelo Partido da Frente Republicana Guatemalteca (FRG), desculpou-se por não poder comparecer alegando trabalho no Congresso; Oscar Berger, da Aliança Nacional e Fritz Carcía Galont, candidato pelo Partido do Sol, alegaram compromissos de campanha.
Indagados sobre a violência que afeta o país, mais de um candidato reportou-se à decomposição social verificada na Guatemala e que é preciso recorrer à lei. Rodolfo Rosales García disse que "na Guatemala vive-se uma batalha espiritual".
Sobre a dívida externa, apontaram que é preciso mudar a geração de riqueza e que é preciso resolver a pobreza. Rosales disse que "Deus não patrocina a pobreza, Guatemala é um país com um paraíso ecológico".
Os candidatos foram perguntados sobre os defeitos da igreja, profissão de fé, o que pensam a respeito do satanismo e o que diriam a respeito dos trâmites das igrejas para conseguir vistos aos missionários. As respostas foram variadas, mas todos disseram que respeitam a igreja evangélica.
O correspondente da ALC perguntou a López, Conde e Suger que opinião tinham a respeito do fórum político realizado pelos evangélicos em termos de formação cívica.
"Trata-se de um papel muito importante que as igrejas evangélicas estão desempenhando na Guatemala. A igreja em geral não é a que faz o governo, mas ela é a alma da nação. Os que fazem vida pública e aspiram a presidência têm a obrigação de informar sem qualquer distinção. O importante é expor as idéias morais, éticas a todos os cidadãos, e esse é um fórum para compartilhar nosso pensamento", respondeu López.
Eduardo Suger, que está em último lugar nas pesquisas, disse que se trata de uma atitude "sumamente responsável, porque todos os guatemaltecos e as instituições para as quais as pessoas acodem devem estar informadas. Para a democracia e um futuro correto do país a informação é necessária". O país precisa de muitos fóruns, sobretudo com respeito e uma atitude correta e muito construtiva, acrescentou.
Para Manuel Conde, sétimo lugar nas pesquisas, disse que o fórum é fundamental, embora não seja uma novidade na igreja evangélica nos últimos anos na Guatemala. Essas atividades são cívicas, apartidárias, e "isso é o correto e o lógico que diretorias das igrejas evangélicas possam ouvir os candidatos em primeira mão para sentir o pensamentos deles".
Os candidatos foram solicitados a dizer uma palavra para aqueles cristãos que vêem a política com algo sujo. "Para ser um bom cristão é preciso ser bom cidadão, é preciso participar da vida pública nacional", disse López.
Ele pediu aos cristãos que não votem no dia 9 de novembro, mas elejam, que é responsabilidade de todo cidadão. "Votar é o que se faz por costume, o que corre o risco de ser manipulado. A igreja tem o papel de dizer a seus fiéis quais são as opções que existem e que cada qual tome a sua decisão".
Suger declarou : "Se a política tornou-se suja é porque o permitimos. Se aquele que se envolve na política não amar o seu próximo, ele não cumpre o mandamento de que é preciso amar o próximo como a si mesmo". O cristão de verdade, acrescentou, tem sentimento e preocupação pela comunidade.
Manuel Conde disse que os cristãos estão na vida pública, na política, e mais ainda os que aspiram à presidência "são chamados a ser sal e luz do mundo". É bom saber, acrescentou, que a igreja evangélica é capaz de apresentar, com coragem e transparência, temas que foram considerados tabus, disse.
O secetário da AMEG, Oscar Say, afirmou que a igreja evangélica está rezando pelas pessoas que vão governar o país. "Os evangélicos guatemaltecos não estão for a do processo, porque estamos clamando a Deus, e para Ele todas as coisas são possíveis", afirmou.

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