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Sábado, 4 de Outubro de 2003

Diretora de Visão Mundial analisa situação da Guatemala

Antonio Otzoy, GUATEMALA, Guatemala, Agosto 27, 2003

Ao fazer a apresentação do livro "Caminar con los pobres", de Bryan K. Myers, a Taxi Heathrow Airport diretora da Visão Mundial, Reyna de León de Contreras, analisou a situação do país e destacou que a Guatemala é uma nação de contrastes.

Participaram da apresentação de "Caminar con los pobres, manual teórico-práctico de desarollo transformador" 75 líderes de distintas igrejas evangélicas da Guatemala. A obra foi editada pela Editora Kairós.

De León arrolou, entre os contrastes da Guatemala, a insegurança e a violência, a pobreza, que atinge mais as mulheres e indígenas da área rural.

"A visão de uma nação para a Guatemala deve ter perspectiva, com respeito aos direitos humanos, ser próspera, competitiva e sem exclusões sociais", enfatizou. Além disso, é preciso ajustar a nação, com um Estado democrático, com um setor privado competitivo e socialmente responsável, e uma cidadania com capacidade propostiva", defendeu.

O pastor colombiano Harold Segura, assessor de Testemunho Cristão e Relacionamento com Igrejas para a América Latina e o Caribe, comentou o livro. Ele disse que "Caminar con los pobres" é mais que um livro teórico, é um manual prático.

Muito já foi dito, acrescentou, sobre a importância de chegar até os pobres, mas não se disse como fazer isso. O livro indica que "deve-se superar a aproximação ocidental e dualista, neognóstica, que invadiu a teologia e a prática do desenvolvimento".

"A pobreza é uma relação disfuncional", disse Segura. Para superá-la é preciso que o desenvolvimento implique uma mudança total da vida humana, integral.

O pastor Haroldo Caballeros, da Igreja El Shaddai, da Guatemala, explicou que a igreja ao final do século XX sofreu uma mudança de paradigmas. "Os textos que usávamos não respondiam aos desafios, porque propiciavam, sobretudo, não contaminar-se com o mundo". E acrescentou: "Nós éramos parte do problema, agora somos luz e sal do mundo, devemos afetar e impactar o mundo".

Segundo o pastor, "os poderes cósmicos estão por detrás da pobreza, porque sua origem é de espírito". A origem da pobreza está contida na idolatria e por isso, frisou, "é necessário parar a idolatria". Também lamentou que as igrejas ensinem as pessoas que a pobreza é uma bênção e "em seguida as abandonam".

Não é possível fazer desenvolvimento "se estamos divididos, é preciso juntar os esforços", propôs. Essa transformação baseia-se na palavra de Deus. "A igreja deve levantar-se em oração contra o espírito da pobreza, mudar a cultura da violência para erradicar a pobreza", disse. Se as 18 mil igrejas do país atuarem juntas, Guatemala sai do subdesenvolvimento, garantiu.

Rosa María mencionou que na Guatemala crianças sofrem vilência, morrem de fome, padecem desnutrição crônica. "Como se isso fosse pouco, as notícias falam, diariamente, de corrupção, exclusão, marginalização, volência, etc. O que é que estamos fazendo como cristãos para que isso seja diferente?" - perguntou.

Embora o número de cristãos cresça no país, sua influência na nação não será transcendente "se não entendermos que o cristianismo deve ir além das paredes da igreja, deve chegar ao necessitado e estender-lhe a mão. Alguns começaram a romper essa separação entre o espiritual e o físico, mas são minoria. Ainda falta muito para que realmente a igreja da Guatemala seja braço de Deus aos necessitados", afirmou.