![Aram I, moderador do Comité Central do CMI [Foto: WCC]](/picture/aram.jpg)
Ecumenismo perpassa todas as religiões, diz moderador do CMI
Edelberto Behs, GENEBRA, Suiza, Agosto 26, 2003
Num mundo agitado, no qual humanidade e criação estão doentes, o diálogo, a relação e Taxi Heathrow Airport a colaboração com outras religiões terão que ser prioritárias na visão ecumênica do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) para o século XXI.
A admoestação é do moderador do CMI, sua santidade católicos Aram I, de Silícia, e consta no relatório que apresentou ao Comitê Central do organismo ecumênico, reunido em Genebra, de 26 agosto a 2 de setembro.
O diálogo "é a única possibilidade para as religiões influenciarem de forma dinâmica na situação" e participarem de maneira ativa na transformação da sociedade. Mas ele continua sendo a dimensão "mais complexa e controvertida" do movimento ecumênico, apontou Aram I na análise que embutiu no relatório sobre o "ser Igreja" em sociedades pluralistas e suas conseqüências para a missão.
"Ser ecumênico" é um desafio que perpassa todas as religiões e já não se limita mais a uma atividade acadêmica, mas trata-se de um "diálogo de vida, que abarca todos os aspectos e as esferas da vida humana", destacou.
O diálogo é uma busca da verdade, ajuda os que dele participam a aprofundarem sua experiência de fé, e suscita esperança em meio ao desespero. O objetivo do diálogo não é a negociação, e nele não cabe o enfoque excludente e a confrontação, alertou.
A colaboração inter-religiosa, reforçou Aram I no relatório, é um imperativo, e o movimento ecumênico deve aprofundar seu entendimento da pluralidade religiosa, que constitui, afinal, o contexto no qual a Igreja é chamada a dar o seu testemunho.
Uma tarefa nada fácil, admitiu o moderador do CMI. Em meio a sociedades pluralistas, os cristãos terão que reavaliar percepções e estratégias missionárias, "resolver a dicotomia constante entre diálogo e missão".
Reportando-se à Conferência missionária do CMI reunida em 1989 em San Antonio, Texas, Aram I enfatizou que cristãos não podem indicar nenhum outro caminho de salvação a não ser Jesus Cristo, mas também não podem impor limites ao poder salvífico de Deus.
"Necessitamos buscar novas formas de compreender o Evangelho e de relacioná-lo com realidades em constantes mudanças", defendeu Aram I. O diálogo já não é uma mera questão teológica, mas "um desafio existencial de convivência".
Na análise do moderador, a mundialização criará, cada vez mais, uma crise de identidade, à qual a religião será a única força capaz de contrapor resistência.
"Nas comunidades mundializadas e pluralistas, o 'outro' deve ser visto como um vizinho", apontou.
Aram I mencionou três áreas em que a colaboração inter-religiosa é indispensável em sociedades pluriculturais: na educação religiosa, que promova uma cultura da diversidade; na atuação religiosa entendida como agente de saúde e reconciliação, desobstruindo conflitos em situações de tensão política e social; e no papel profético ativo, engajando-se no combate espiritual das forças demoníacas, como o fundamentalismo, qualificado como "o maior inimigo da religião e a força mais perigosa no momento".
"Atuando juntas, as religiões se constituirão em voz potente dos sem-voz e em força moral que congrega comunidades e que as conduzirão para um futuro comum", destacou o moderador.
Aram I encerrou o relatório convidando os cristãos a empreenderem, com pessoas de outras religiões, a "peregrinação do descobrimento", que levará à "redescoberta de nossas raízes e verdades comuns", voltada à reconciliação da humanidade e da criação.
O bispo metodista argentino Aldo Etchegoyen afirmou, ao término da leitura do relatório na plenária do Comitê Central, hoje pela manhã, que Deus inspirou Aram I a "dizer verdades muito valiosas". Adiantou que vai levar o documento para discuti-lo na Argentina com amigos judeus e muçulmanos, enfatizando que essa perspectiva não deve faltar na Assembléia do CMI agendada para Porto Alegre, em 2006.
"Esse deve ser um documento de estudo nas nossas igrejas e seminários", reforçou o pastor presbiteriano Héctor Méndez, de Cuba. Alertou, contudo, que o diálogo inter-religioso não deve eliminar da agenda ecumênica assuntos tão importantes como os de caráter social e as diferenças entre as tradições cristãs. "Que o diálogo inter-religioso sirva para aprofundar o nosso diálogo", propôs.
O Comitê Central do CMI é o grêmio decisório máximo do organismo ecumênico entre as assembléias. Ele é integrado por 150 pessoas e reúne-se, via de regra, entre 12 a 18 meses. A agenda desse encontro inclui a eleição do novo secretário geral e a escolha do tema para a IX Assembléia, agendada para Porto Alegre, em 2006.
(O relatório completo apresentado pelo moderador ao Comitê Central encontra-se em https://www2.wcc-coe.org/ccdocuments2003.nsf
Nota:
El editor de ALC en portugués, Edelberto Behs, ha sido invitado a integrar el Comité de Prensa del Consejo Mundial de Iglesias y cubrir las informaciones de la reunión del Comité Central, que se inició este martes. Por esa razón el servicio en portugués de ALC retransmitirá algunos despachos del servicio de noticias del CMI y ofrecerá algunas notas exclusivas.
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