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Sábado, 4 de Outubro de 2003

Pastor Darío López, presidente do Concílio Evangélico [Foto: CEPS]
Pastor Darío López, presidente do Concílio Evangélico [Foto: CEPS]

Reconciliação só será autêntica se baseada na verdade, diz Conep

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Agosto 25, 2003

Em carta pastoral intitulada "Anunciemos a verdade, proclamemos a justiça e invoquemos o perdão", a Taxi Heathrow Airport Comissão de Paz e Reconciliação do Conselho Nacional Evangélico do Peru (Conep) afirma que a apresentação do relatório final da Comissão da Verdade e da Reconciliação (CVR) coloca os peruanos num momento crucial da história.

A CVR foi criada pelo governo para investigar as violações dos direitos humanos durante a luta anti-subversiva, entre 1980 e 2000. Depois de dois anos de trabalho, a CVR entregará, nesta quinta-feira, o relatório ao presidente Alejandro Toledo em cerimônia especial no Palácio do governo..

"Não podemos deixar de reconhecer que há uma dimensão espiritual do momento histórico que vivemos: um evidente conflito entre eleger a verdade ou eleger a mentira; escolher o bem ou o mal. Os cristãos devem optar sempre pelo que é justo, honesto, por tudo que é verdadeiro, tudo o que é de bom nome", afirmou a Comissão do Conep, referindo-se aos questionamentos de diversos setores ao trabalho da CVR.

"Consideramos que o relatório da CVR será um instrumento importante para que todos nos encontremos com a verdade e empreendamos a imensa tarefa da reconciliação nacional", assinala.

Os evangélicos peruanos estão convencidos que o país necessita de reconciliação  com urgência e que ela só será autêntica se embasada na verdade e na justiça. "A verdade não pode ficar para amanhã. A dor das vítimas exige que a descubramos hoje", destacam.

Lembram, ainda, que os cristãos não podem permitir a impunidade nem o esquecimento para aqueles que foram vítimas da violência, porque trata-se de uma exigência que emana do próprio caráter de Deus.

"Não devemos esquecer que uma reconciliação genuína passa por um arrependimento dos culpados, do pedido público de perdão, de submissão às leis e da promoção de ações de restituição às vítimas. Justiça não é vingança, perdoar não significa deixar de lado a justiça", diz a Pastoral.

A reconciliação nacional embasa-se no reconhecimento da dor, do sofrimento, da restituição dos direitos dos peruanos que sofreram a perda ou desaparecimento de familiares, dos milhares de deslocados forçados, dos inocentes que ainda estão na prisão e das centenas de órfãos gerados pela violência, alertam os evangélicos.

A reconciliação que o Conep almeja não pode ser concebida de uma maneira gratuita, fácil ou sem esforço. Ela não termina com a tarefa da CVR, mas é tarefa de todos os peruanos, da sociedade civil, das igrejas, alertam.

Os evangélicos reafirmam, no documento, o compromisso de continuar acompanhando as vítimas da violência, desenvolvendo uma pastoral da consolação, que contribua para a restauração dos atingidos, apoiando os processos de reparação civil. "Deus está sempre do lado das vítimas", garantem.

Embora os evangélicos tivessem empreendido ações de apoio às vítimas, defendendo os direitos delas, o documento do Conep sustenta que eles sentem vergonha  "porque não poucas vezes calamos nossa voz quando devíamos gritar".

As respostas que os evangélicos deram foram diferentes, assinala a Comissão de Paz e Reconciliação. Alguns pastores e leigos dicidiram ficar nas comunidades rurais onde o conflito eclodiu, oferecendo uma palavra de consolo aos que sofriam. Outros, sem viver nesses locais, disseram que choravam com os que choravam; e terceiros simplesmente ficaram distantes do problema, sem se dar conta do sofredor, preferindo a comididade dos templos.

"Por isso pedimos perdão a Deus e pedimos perdão às vítimas", diz a pastoral.