Mulheres prometem denunciar sacerdotes pederastas
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Agosto 21, 2003
A líder da Comissão Feminista da Nicarágua, Sofia Montenegro, disse que vai organizar fórum público Taxi Heathrow Airport no qual dará nome e sobrenome de alguns sacerdotes e líderes religiosos que, em nome de Deus, abusaram de crianças.
"É hora de debatermos a dupla moral de muitos líderes", disse Sofia. A polêmica surgiu no marco de um intenso debate no país sobre o projeto de lei de igualdade de direitos e oportunidades, que favoreceria os homossexuais, e sobre o Manual de Educação Sexual preparado pelo Ministério de Educação para uso nas escolas.
A Igreja Católica, a Associação pela Vida, a Aliança Evangélica da Nicarágua (Aenic) e outros organismos rejeitam o projeto de lei e o manual.
Em coletiva de imprensa na segunda-feira, 18, Sofia Montenegro, acompanhada de Azalea Solís, Franciso Cabistán, do setor jovem da Coordenadoria Civil, mais a líder feminista Dorotea Wilson, acusaram a Igreja Católica de intromissão aberta na política, ao querer impor aos deputados da Assembléia Nacional a reforma de alguns artigos daquele projeto de lei.
Montenegro disse que se esse projeto sair amarrado à posição da Igreja a lei não irá outorgar maior igualdade nem maiores espaços às pessoas. Montenegro pediu aos professores para que unam esforços no sentido de defender o respeito do Estado laico e a separação de Estado e Igreja.
Quando indagada se tinha provas de padres que abusaram de menores, Sofia Montenegro respondeu que essas provas serão trazidas pelos familiares das vítimas, que têm pleno direito de pedir à Justiça uma indenização pelos danos irreparáveis que sofreram as crianças.
A diretora da rede de luta contra a violência às mulheres, Violeta Delgado, disse que apoiava o Manual de Educação Sexual do Ministério da Educação porque trata-se de um passo importante, já que facilitará informação a professores e alunos, contribuindo na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
Francisco Cabistán, da Coordenadoria Civil, também apoiou o Manual, dizendo que ele será muito útil aos jovens.
Em nome do movimento feminista da Costa Atlântica, Dorotea Wilson disse que a posição da igreja hoje é igual a que tinha na época do frei Bartolomeu de las Casas, e pediu que seja respeitado o Estado laico. Ela manifestou apoio à edição do Manual de Educação Sexual.
Sixto Ulloa, líder da Igreja Batista, que apoia o Manual, disse que não estanhava a posição da Aenic no caso e esclarece que essa entidade não representa todo o setor evangélico da Nicarágua. "É uma minoria que não tem poder de convocatória", aludiu.
Os entrevistados na coletiva de imprensa pediram que sejam incluídas no Manual estatísticas sobre violência.
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