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Domingo, 14 de Março de 2004

Católicas pelo Direito de Decidir analisam fundamentalismo

SÂO PAULO, Brasil, Agosto 21, 2003

O maior prejuízo da proibição legal e moral do aborto é a morte de mulheres. Taxi Heathrow Airport "A grande contradição daqueles que se dizem pró-vida é de que na realidade são pró-morte das mulheres", declarou a presidente da ONG "Católicas pelo Direito de Decidir", Maria José Rosado Nunes, em entrevista para Flávia Mattar, do IbaseNet.

Neste mês de agosto, "Católicas pelo Direito de Decidir" completa dez anos de atividades no Brasil e vai comemorar a data, no dia 22, com um debate na Câmara Municipal de São Paulo, e culto ecumênico, no sábado, 23, na Casa de Portugal.

"Afirmando o sagrado direito de decidir em tempos de fundamentalismo" será o tema do debate agendado para o dia 22. Ele terá a participação da teóloga católica feminista norte-americana Mary Hunt, professora adjunta do programa de estudos da mulher da Georgetown University e uma das fundadoras da Women’s Aliance for Theology.

Além de Mary Hunt, participarão do evento como debatedoras a presidente dessa ONG nos Estados Unidos, Frances Kissling, e a teóloga católica Ivone Gerbara, do Brasil. Maria José, que coordenará o debate, é socióloga e professora da Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Católicas pelo Direito de Decidir é formada por pessoas católicas, mas entende-se de caráter ecumênico, que luta pela igualdade nas relações de gênero e pela cidadania das mulheres na igreja e na sociedade. Defende o pensamento religioso progressista, que favorece a autonomia das mulheres, reconhecendo sua capacidade de tomar decisões sobre todos os campos da vida.

Na entrevista que deu à repórter Flávia Mattar, do IbaseNet, Maria José declarou que "dentro da Igreja Católica há uma injustiça estrutural em relação às mulheres", que são excluídas dos quadros mais importantes da denominação pelo simples fato de serem mulheres.

Recorrendo à história, a professora da PUC explicou que a Igreja Católica foi contra o aborto, na sua posição original, porque entendia tratar-se de uma expressão do adultério. "Acreditava-se que esconder o pecado do adultério era a única razão pela qual uma mulher faria um aborto", explicou a socióloga.

Mais tarde isso mudou, "mas só foi definido de uma maneira oficial pela Igreja de que todo aborto é pecaminoso há 100 anos, ou seja, muito pouco para uma Igreja multisecular", argumentou.

Na entrevista, a presidente de "Católicas pelo Direitos de Decidir" destacou que a posição da Igreja Católica quanto ao aborto não é um dogma, "portanto, não há uma obrigatoriedade de crença". Para a socióloga, a ilegalidade do aborto "é um caso de injustiça social porque as mais penalizadas são as mulheres pobres, que acabam indo a casas de aborto clandestinas".

A melhor prevenção ao aborto, arrolou, "é um excelente processo de educação sexual", disseminado pelas escolas do país, em todos os níveis, e a disseminação de contraceptivos de todos os tipos, com os cuidados que cada qual merece, com acompanhamento médico.

"Católicas pelo Direito de Decidir" adotou como lema para a comemoração dos dez anos de atividades no Brasil "Afirmando o sagrado direito de decidir". Elas partem do princípio de que as mulheres têm plena capacidade moral para decidir sobre suas vidas.

"A dignidade da maternidade não é dada pela natureza, mas pela capacidade humana de aceitação ou não de um novo ser humano. Essa é a beleza e o que diferencia os seres humanos dos animais. Consideramos que a maternidade não é pura animalidade, é, ao contrário, um ato plenamente humano e por isso divino", definiu Maria José na entrevista ao IbaseNet.