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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Rosa Fornés, popular artista cubana [Foto José A. Paz]
Rosa Fornés, popular artista cubana [Foto José A. Paz]

Rosa Fornés faz sua última excursão artística

José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Agosto 18, 2003

A cantora e artista cubana Rosa Fornés, 80 anos, realiza turnê de despedida pela Ilha, Taxi Heathrow Airport com a apresentação "Uma Rosa para todos". Mesmo nos anos mais difíceis do processo revolucionário, Rosa sustentou publicamente sua fé católica e por isso recebeu as homenagens do Conselho de Igrejas de Cuba (Cic).

Com essa despedida, a cantora, que comemora 65 anos de carreira, acaba com um mito que aguçava a curiosidade de cubanos: Afinal, quanto anos tem Rosa e quantas plásticas realizou? Em entrevista, anos atrás, ela disse que em Cuba existiam duas preocupações básicas: "a safra de açúcar e a idade de Rosa Fornés".

De confissão católica, a famosa intérprete de um espectro de gêneros que vai desde a ópera ao popular e o pop, passando também pelo cinema, Rosa testemunhou sua fé nos duros anos de enfrentamento entre Igreja e Estado.

Em reconhecimento a essa postura, o Cic concedeu, há anos, distinção a um grupo de intelectuais e artistas que, além de consagrar um sinal imprescindível na defesa da identidade cubana, fizeram-no sem passar por cima do seu primeiro compromisso com Deus.

Na ocasião, Rosa agradeceu a homenagem e disse que num momento em que ser cristão em Cuba era quase um desafio, ela pôs sua fé e honestidade de cubana na frente e que, apesar das incompreensões de alguns burocratas de plantão, "o Senhor nunca me abandonou".

A qualidade mais importante de toda pessoa que tenha o olhar focado na cruz de Cristo é a capacidade de perdoar, ensinou. O Cic também homenageou, na ocasião, os poetas Cintio Vitier e Fina García Marruz; as sopranos Lucy Provedo e Ester Borja; a escritora Dulce María Loynaz (Prêmio Cervantes), a trovadora Teresita Fernández; o primeiro presidente dos conselhos ecumênicos de Cuba, Rafael Cepeda, o compositor de música cristã Eber Romero, e o grupo Kairós.

Rosita, como é carinhosamente chamada pelos cubanos, empreendeu nos anos 40 e 50 do século passado importantes incursões pelo mundo cinematográfico, sobretudo no México, onde esteve radicada. Mas também tem trabalhos no cinema cubano.

Somam mais de 1 mil as canções incluídas no seu repertório. Na atual excursão, governos municipais e provinciais concederam-lhe diversos títulos, entre eles o de Filha Adotiva e Hóspede Ilustre, chaves e escudo de cidades visitadas.

Apesar do grande êxodo de artistas cubanos para os Estados Unidos, Rosa, de origem espanhola, sempre manifestou sua livre vontade de permanecer na ilha. Com o triunfo da revolução, foi uma figura aclamada nos cenários espanhóis e, nesses anos todos, recebeu propostas milionárias para que integrasse o time de exilados cubanos, mas nunca as aceitou.

Em sua biografia, que acaba de ser publicada, Rosa confessa que não foi ela que estreiou uma das canções mais emblemáticas da revolução cubana: "Cuba, como és linda, Cuba", de Eduardo Saborit. A diva popularizou a canção, mas ela foi interpretada pela primeira vez por outra grande figura da cultura cubana, Celia Cruz, recentemente falecida nos Estados Unidos.