Igreja Unida pede que governo legalize casamento de pessoas do mesmo sexo
HALIFAX, Canadá, Agosto 15, 2003
O 38o Concílio Geral da Igreja Unida do Canadá (UCC, a sigla em inglês), pediu Taxi Heathrow Airport ao governo canadense que reconheça legalmente os matrimônios de pessoas do mesmo sexo. A UCC é a denominação protestante mais representantiva do país.
Moção nesse sentido foi aprovada por esmagadora maioria do Concílio, na quarta-feira, depois de um calmo, mas às vezes emotivo debate sobre o tema, que se prolongou por quase uma hora. O Concílio reúne em Wolfville, capital da província de Nova Escócia, 400 representantes das 3.677 congregações que a UCC tem no país.
"Essa é uma grande oportunidade para dar testemunho", disse Fred Braman, da Conferência da UCC de Montreal e Ottawa, ao abrir o debate sobre a moção que inseria mudança na declaração sobre matrimônios, e que propôs a alteração da palavra "uniões", da proposta inicial, por "matrimônio" entre pessoas do mesmo sexo. A modificação foi aprovada por ampla maioria.
"Não se trata somente de direitos humanos. Trata-se de definir o que somos, como igreja. É a oportunidade de demonstrar nossa fé e comprovar nosso sentido de justiça, de amor ao próximo, de que caminhamos humildemente com o nosso Senhor", disse Braman.
A moção original foi apresentada pela Conferência da UCC da província de Saskatchewan e encaminhada ao Concílio Geral como parte do esforço para declarar ilegal a discriminação baseada na orientação sexual e na correspondência com as recentes ações da igreja sobre o reconhecimento cívico das uniões de pessoas do mesmo sexo.
"Esta é uma boa oportunidade para demonstrar as boas-vindas que damos às pessoas, que o abraço que damos não tem exclusividade, de dizer que nossa mesa está servida para todos os que vêm", enfatizou Braman. Ele pediu aos delegados para que tomassem uma posição clara e dissessem em alta voz o que a igreja é.
Em tom emocionado, Rachel Culbertson, da Conferência de Alberta e Noroeste, uma das delegadas mais jovens que se pronunciou a favor da emenda, relatou à assembléia a satisfação que tinha por viver com "duas mães", e as dificuldades que sofreu por causa disso. O único lugar em que ela teve apoio foi na Igreja Unida local. "Orei durante muito tempo para que isso não voltasse a acontecer", afirmou, chorando.
A pastora Sally Harris, co-presidente de Affirm, um grupo de gays e lésbicas da UCC, lembrou aos delegados que horas antes eles tinham votado por paz e segurança no Estado de Israel. "Agora trata-se de pedir ao governo federal que legalize os matrimônios de pessoas do mesmo sexo, para que eu e minha parceira tenhamos `paz e segurança´ em nossa união", argumentou.
Thelma Arnott, pastora da Conferência de Toronto, relatou aos delegados que recentemente oficiou o matrimônio de duas mulheres e que esse foi um dos momentos de maior espiritualidade do seu ministério. "Foi realmente um acordo entre duas mulheres e Deus. São duas mulheres maduras que se amam, e Deus realmente esteve nesse matrimônio", afiançou.
O reverendo Mark Ferrier, da Conferência da Baia de Quinte, lembrou os delegados que a decisão final sobre quem estão casando na igreja dependeria das 3.677 congregações que a UCC tem.
Dentre o punhado de delegados que votou contra a moção, Nick Monsour, da Conferência de Londres, qualificou de "ridícula" a proposta de legalizar os matrimônios entre pessoas do mesmo sexo. "Não estou a favor disso. Estou desgostoso de que o assunto seja considerado pela Igreja Unida", alegou.
Em entrevista coletiva, depois da aprovação da moção, o moderador eleito, Peter Short, agradeceu a igreja por ter manifestado sua posição de modo tão claro. Ele compartilhou a opinião de Ferrier, no sentido de que as congregações locais tomarão suas próprias decisões, e pediu que elas tomem o tempo necessário para fazê-lo.
Short frisou que a UCC vem trabalhando por justiça para casais do mesmo sexo há 20 anos. "Esse é um novo passo nesse sentido. As congregações não têm que tomar decisões imediatas, e penso que elas manterão nosso interesse no tema", afirmou.
O novo secretário geral da UCC, pastor Jim Sinclair, disse que o Concílio Geral adotou uma nova política sobre matrimônios do mesmo sexo, ao pedir ao governo federal que os legalize. É responsabilidade das congregações considerar em oração o acerto da decisão do Concílio, destacou.

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