![Elsa Tamez, teóloga mexicana, fez sucesso com "Epístola de Priscila" [Foto: UBL-Lima]](/picture/Tamez_Elsa_-UBL_d358f1.jpg)
Cristianismo deve passar por acerto de contas interno
Paulo Hebmüller, SÂO PAULO, Brasil, Agosto 15, 2003
A Conferência sobre o Cristianismo na América Latina e no Caribe, realizada entre o final Taxi Heathrow Airport de julho e o início de agosto em São Paulo, teve, entre seus participantes, 10% a 15% de protestantes, segundo avaliação informal de seus organizadores.
O encontro, de caráter acadêmico, também abriu inscrições a profissionais não necessariamente vinculados a igrejas. As fichas de inscrição ao evento não traziam a pergunta sobre filiação religiosa.
Participaram do evento 740 pessoas, de 31 países. Ele foi promovido pela Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina (Cehila), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Ameríndia, Centro Ecumênico de Educação Popular (Cesep) e Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter).
Entre os protestantes, a avaliação do atual estágio das relações ecumênicas a partir da Conferência aponta para a inclusão de novas correntes e tendências do pensamento e da prática das igrejas na América Latina.
A teóloga metodista mexicana Elza Tamez disse que ficou "positivamente assombrada" com a Conferência. Para ela, os anos 90 foram de retração e retrocesso no diálogo ecumênico. "Era como se todos estivessem repensando sua situação interna devido às grandes mudanças do mundo", ponderou.
"Alegrei-me muito aqui, já notei uma outra atitude", afirmou a teóloga, cuja "Epístola de Priscila" (um texto escrito em forma de carta paulina dirigida à Igreja contemporânea) foi um dos pontos altos do evento. "Talvez essa reunião tenha sido o que precisávamos para nos reanimar."
Israel Batista, pastor metodista cubano e secretário geral do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), entende que hoje é necessário um "movimento de ecumenismo ao próprio interior das igrejas", pois mesmo as denominações protestantes históricas "estão atravessadas por diferentes correntes e linhas".
"Isso não significa não seguir com o diálogo católico-protestante, mas a nossa busca no Clai tem sido recuperar com muita força o nosso rosto evangélico. Às vezes estamos mais propícios a falar com o outro do que a falar com o evangélico que está ao nosso lado", observou.
Para ele, é preciso reconhecer que "foi o Espírito Santo que nos trouxe a esse encontro, e o século XXI é o século do Espírito".
O reverendo anglicano Luiz Caetano Grecco Teixeira, secretário regional do Clai no Brasil, acredita que há vários modelos de ecumenismo atualmente no país, e é necessário discutir por qual deles as igrejas querem caminhar.
Em sua opinião, um dos modelos é o que privilegia uma relação bastante institucional entre as igrejas, com hegemonia católica-luterana. Outro é o que se passa nas bases e nas comunidades locais, que se materializa em estudos, reflexões e ações diaconais em conjunto.
Em 2004, o Clai-Brasil deve convocar uma consulta nacional para discutir as diferentes visões de ecumenismo, e dela devem participar inclusive setores de igrejas pentecostais e até de denominações que se declaram não-ecumênicas.
"Já existem representantes das novas gerações dessas igrejas nesse diálogo. Nos próximos dez anos, vamos vê-las aproximando-se mais institucionalmente", afirmou o reverendo Luiz Caetano.
Para o pastor Rolf Schünemann, segundo vice-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, "a dimensão da espiritualidade que parte da perspectiva pentecostal vai ter, de certa maneira, reflexos no futuro na reestruturação das próprias igrejas históricas, sem prejuízo da sua inserção e comprometimento com a sociedade civil".
O futuro das relações ecumênicas e inter-religiosas, na visão do pastor luterano, deve apontar para a "criação de um espaço de confiança que permita que denominações históricas, pentecostais e outras possam quebrar as barreiras e preconceitos a partir de novas formas de trabalhar a dimensão bíblico-evangélica da fé cristã".
Lembrando que o cristianismo não é majoritário no mundo, conforme a própria Conferência enfatizou, Schünemann alertou: "A credibilidade do cristianismo passa por um acerto de contas interno dentro de suas diversas ênfases."
Rev. Fred Morris
Gostei muito do artigo. Quero saber se ja foi traduzido ao ingles. Se for, gostaria de receber uma copia. Senao, quero saber se poderia me autorizar a traduzi-lo para distribuir entre as igrejas do Conselho Nacional de Igrejas dos EUA.
Obrigado.
Fred Morris

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