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Sábado, 20 de Novembro de 2004

Agricultores marcham rumo à capital e prefeito investe em festa de patrono

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Agosto 6, 2003

Enquanto milhares de camponeses, suas mulheres e filhos, dão seguimento à marcha de fome rumo Taxi Heathrow Airport à capital, o prefeito de Manágua, Henry Lewites, foi criticado por gastar mais de 50 mil dólares de verbas públicas na festa do patrono de Santo Domingo de Guzmán.

Milhares de camponeses de Matagalpa, a 145 km ao norte de Manágua, atingidos pela queda internacional do preço do café, principal cultivo da região, realizam, há duas semanas, marcha com destino à capital, onde vão pedir alimentos e ajuda do governo para subsistirem.

O deputado sandinista Nelson Artola, membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Nacional, responsabilizou o presidente Enrique Bolaños pela tragédia e pediu que escute a Igreja Católica e os pastores evangélicos que se solidarizaram com os camponeses.

O bispo Leopoldo Brenes, de Matagalpa, colocou a catedral e a igreja de Sebaco à disposição dos manifestantes. Revelou que gestiona junto ao governo para que abra diálogo com os camponeses. Lamentou que muitas mães participem da marcha carregando filhos nos braços porque não têm onde deixá-los, pois as fazendas de café onde trabalhavam encerraram sua atividades.

O diretor de Programas do Conselho de Igrejas Evangélicas Pró-Aliança Denominacional (Cepad), Gilberto Aguirre, afirmou que é testemunho da tragédia que milhares de camponeses atravessam, pois perderam emprego e colheitas. Eles pedem créditos, insumos e alimentos para os filhos.

O Comitê Pastoral do Cepad de Matagalpa, presidido pelo pastor Javier Moraga, pediu às igrejas da região que arrecadem alimentos, medicamentos e roupa para auxiliar os cinco mil camponeses que, estima-se, estão em marcha.

O Centro Nicaragüense de Direitos Humanos (Cenidh) assegura que desde o início da marcha faleceram 14 pessoas, entre crianças e adultos, por causa da desnutrição. O Ministério da Saúde nega essas mortes.

Diante da pressão da opinião pública, o governo aceitou a mediação da Igreja Católica e os manifestantes pararam, ontem, em Las Tunas, a 97 km da capital, para esperar os representantes do governo.

Funcionários governamentais afirmam, em anúncios nos diários, que foram investidos 70 milhões de córdobas (cerca de 4,6 milhões de dólares) na distribuição de alimentos e medicamentos, que beneficiaram 98 mil pessoas atingidas.

Na capital, os pastores Sixto Ulloa, da Igreja Batista, e William González, da Igreja de Deus, criticaram o prefeito Lewites por ter gasto 50 mil dólares dos contribuintes nas festas de Santo Domingo de Guzmán, que começaram no dia 1. de agosto e se estenderão até o dia 10.

Ulloa é pastor da Igreja Batista de San Isidro. Ele disse que o prefeito deve prestar contas dos gastos da municipalidade nessas festas católicas, pois está violando o estado laico. Lembrou que Lewites disse, há meses, que arrecadaria 50 mil dólares da iniciativa privada para as festas de Santo Domingo. Mas ninguém sabe se ele conseguiu os recursos. Os dez dias de festejos somam mais de 100 mil dólares.


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