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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2003

Bispo Krause, Ishmael Noko e bispo Hanson em culto de encerramento da assembléia da FLM [Foto:LWF]
Bispo Krause, Ishmael Noko e bispo Hanson em culto de encerramento da assembléia da FLM [Foto:LWF]

Documento da assembléia luterana pede mudanças na globalização econômica

WINNIPEG, Canadá, Julho 31, 2003

Com a aprovação de mensagem final resumindo os resultados de dez dias de deliberações, a Taxi Heathrow Airport X Assembléia da Federação Luterana Mundial (FLM) concluiu os trabalhos hoje. A Assembléia reuniu mais de 800 representantes de 71,6 milhões de luteranos de todo o mundo, congregados em 136 igrejas, de 76 países.

"Para a cura do mundo" foi o tema da Assembléia. Os delegados trabalharam até o último momento desta quinta-feira na elaboração do documento que resume as áreas de maior preocupação dos luteranos dos cinco continentes e que aponta rumos para as atividades da FLM até a próxima assembléia, prevista para daqui a seis anos.

Entre os temas abordados no documento final aparecem a globalização, a sexualidade humana, a violência e o cuidado do meio ambiente, assim como as feridas que o mundo sofre, e que necessitam, desesperadamente, de cura.

Um ponto importante dessa Assembléia foi a marcha silenciosa que seus participantes realizaram por ruas de Winnipeg, partindo do Centro de Convenções da cidade até o escritório do Serviço de Cidadania e Imigração do governo canadense, que negou vistos de entrada no país para 50 delegados luteranos de países em desenvolvimento. A marcha terminou com a realização de culto no Anfiteatro Fork, próximo ao escritório da imigração.

A mensagem final do evento assinala que, no cumprimento do seu papel profético de promover a justiça e os direitos humanos, as igrejas devem assumir uma forte posição pela transformação da globalização econômica.

O documento afirma que o fosso entre ricos e pobres ficou maior, que a marginalização dos povos indígenas aumenta e que a dívida externa das nações pobres converteu-se num instrumento de dominação. A mensagem pede que se trabalhe pelo desenvolvimento de uma economia que sirva a toda a vida.

O texto final da Assembléia desafia os luteranos para que sejam as mãos de Deus na Terra para criar, restaurar e sustentar a criação ferida. Pede que desafiem as práticas que convertem os dons da criação de Deus em mercadorias e lucro, especialmente quando essa atividade prejudica os pobres.

Também exorta os membros das igrejas luteranas para que trabalhem contra atividades que provocam mudanças climáticas, como o consumo de combustíveis fósseis, e para que eduquem as congregações na teologia da criação.

Na parte final o documento assinala que "o mundo em que vivemos sofre os quebrantos causados pelo pecado e o povo é vítima da injustiça e do abuso do poder. Mas, em meio a todo o sofrimento e injustiça, Deus trabalha e cura continuamente o nosso mundo".

O documento exorta para que se explore, em profundidade, o que significa ser luteranos "em comunhão", incluindo a comunicação com os outros, procedentes de diferentes culturas, considerando a promoção e a inclusão plena da mulher e dos jovens em todos os aspectos da vida da igreja e o respeito às diferenças culturais sobre o ministério.

A mensagem assinala que o conceito de cura estende-se além das fronteiras denominacionais e alenta a cooperação e o diálogo com outras igrejas, com especial atenção às atividades ecumênicas na África, Ásia, Europa Central e Oriental, América Latina e Caribe.

Também convida os luteranos par que derrubem as barreiras que excluem grupos de participarem na vida que Deus previu para todos. Essas barreiras incluem o fator gênero, raça, etnia, classe, nacionalidade, casta, orientação sexual, idade e condição física ou mental.

Também se refere aos direitos humanos dos indígenas, em especial o povo dalit, da Índia. Alguns de seus representantes tiveram o visto de entrada negado pelo governo canadense, impedindo-os de se fazer presente na Assembléia.

O documento pede especial atenção às vítimas da Aids, da violência e da pobreza. A diaconia, assinala o documento, tem uma dimensão fundamental na vida das igrejas.

Durante a Assembléia houve um vivo debate sobre a sexualidade humana e o significado de "família". A mensagem promove um diálogo respeitoso sobre matrimônio, família e sexualidade humana, "de maneira apropriada às necessidades de cada membro da igreja".

O texto alenta a participação ativa na Década para a Superação da Violência na família, contra as mulheres e crianças, contra o crescente militarismo e a proliferação de armas. O documento pede atuação contra as expressões de violência nas mídias e especialmente contra as expressões de fundamentalismos em todas as religiões.