Dia da mulher negra: muita luta pela frente
SÂO PAULO, Brasil, Julho 28, 2003
O Brasil do ano 2000 ainda se parece muito com o Brasil de 1500, ano Taxi Heathrow Airport em que foi "descoberto". A constatação aparece na introdução do Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho no Brasil, que o Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir) encomendou, em 1998, ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
A pesquisa foi realizada nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Recife e Distrito Federal. Ela mostra que trabalhadores negros têm de duas a três vezes menos acesso às funções de direção e planejamento, que eles aparecem mais em ocupações não-qualificadas e que os efeitos perversos da globalização e do modelo brasileiro atingem de forma diferenciada trabalhadores negros e brancos.
Tomando o exemplo brasileiro, segundo país do mundo com maior número de negros entre o seu contingente populacional, não há muito o que celebrar no Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe, lembrado na sexta-feira, 25 de julho, a não ser continuar a luta contra a discriminação racial no trabalho, o empenho pela educação para a cidadania e a implantação de políticas antidiscriminatórias.
Das seis regiões metropolitanas pesquisadas, Porto Alegre é que apresenta o menor percentual de negros - 11,8% do total - entre sua população; já na Grande Salvador, os negros perfazem 81,8% do total e somam 63,7% da população do Distrito Federal. Em Salvador, 53,6% dos jovens negros dedicam-se apenas aos estudos, número que sobe para 72,3% entre os jovens brancos.
Em todas as capitais pesquisadas é alto o número de mulheres negras em atividades domésticas. Em Belo Horizonte, mulheres negras em empregos domésticos somam 31%, mais que o dobro de mulheres brancas na mesma atividade. A pesquisa mostra que no Distrito Federal 45% das mulheres negras estão ocupadas em atividades consideradas vulneráveis.
O Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho no Brasil detecta, ainda, que a jornada de trabalhadores negros é superior em duas horas à jornadas dos trabalhadores brancos. Em média, negros trabalham 44 horas semanais, contra 42 horas por semana dos brancos.
Embora os negros trabalhem mais, eles ficam com a parte minoritária da massa salarial, mostra o Mapa. Em Recife, 61% dos negros recebem no máximo dois salários mínimos, contra 46% da massa trabalhadora branca.
Apenas 4% dos trabalhadores negros da Grande Recife ganham mais de dez salários mínimos, quase três vezes menos que a proporção de brancos (11%). O rendimento médio do trabalhador branco é mais que o dobro do rendimento médio do negro.
A pesquisa aponta que, à exceção de Belo Horizonte, os rendimentos do homem negro em todas as regiões pesquisadas são inferiores aos das mulheres brancas. Nas seis regiões pesquisadas, as taxas de desemprego são maiores entre os trabalhadores negros.

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